
Pequena
Finlândia, onde fica a Casa de Papai Noel - Penedo
Onde
está hoje a localidade de Penedo ficava a Fazenda Penedo que , nos fins
do século passado, foi grande produtora de café. Depois da abolição
da escravatura, a cultura de café tornou-se deficiente, por problemas de
esgotamento do solo, pragas nas plantações e a dificuldade de contratação
de colonos.
Quando as safras deixaram de ser satisfatórias, muitas
fazendas começaram a se ocupar de pecuária.
A Fazenda Penedo foi passando, dessa forma, de mão em mão, numa
media de seis em seis anos para cada proprietário e quase todos os donos
a venderam com prejuízo.
No começo do século chegou a Penedo, Toivo Uuskallio, um idealista
com o firme propósito de transformar as terras desgastadas pelo café,
pisoteada pelos animais e calcinadas pelas queimadas, em paraíso terrestre.
As terras da fazenda não tinham praticamente nenhuma arvore até
a altura da Fazendinha. O que se encontrava era apenas capim gordura porque os
finlandeses teriam escolhido o município de Resende ?
Toivo Uuskalli e Toivo Suni chegaram antes dos outros, em 1927, e visitaram inúmeras
fazendas no Rio e em São Paulo, procurando um lugar onde pudessem formar
uma colônia finlandesa.
O que os fez escolher esse local foi o clima
bom, terras altas e várzeas baixas com aluviões fecundos.
E
uma razão ainda mais importante: a sua localização entre
duas capitais com milhões de consumidores certos de produtos hortigranjeiros.
O idealizador do projeto foi Toivo Uuskallio. Sua mulher, Lisa, conta como foi
sua primeira visita a Fazenda Penedo. O percurso foi feito à cavalo e a
distância, da pensão Walter, onde eles estavam, era enorme.
Ela
achou o sobrado da fazenda Penedo e a senzala muito tristes, abandonados. Conversaram
com o barão alemão - que os recebeu - e ele contou casos antigos
de quando administrava a fazenda. Dizia ele que foi feliz lá com sua família
a casa estava em mau estado e administrador novo mostrou a fazenda para eles contaram
que a fazenda era assombrada. Quando Lisa morou na casa descobriu que o barulho
eram gatos caçando ratos em cima da folha de zinco, daí o barulho.
Outro
imigrantes embarcaram em Helsinki no navio "Sierra Cordoba", entre estes,
muitos ficaram sendo habitantes de Penedo.
Toivo estudara os meios para viver
perto da natureza e sua idéia era formar uma sociedade melhor e que acatasse
as leis da natureza achava que o alimento ideal para o homem eram frutos e nozes
e que carne e alimentos de origem animal eram nocivos para a saúde acreditava
em viver livre da escravidão do dinheiro, sem atividades comerciais(o que
é paradoxal já que pretendia viver do produto de seu trabalho) cada
família deveria cultivar para si aquilo que precisasse para seu alimento.(Supõe-se
que sobrevivessem vendendo os vegetais e frutas que não precisassem para
seu consumo).
No seu programa constavam ar puro, exercícios respiratórios,
roupas leves e simples. Isso obviamente não poderia ter sido feito na Finlândia,
com suas geadas e neve durante grande parte do ano. O pastor Pennanen visitou
a fazenda com Toivo e escreveu um folheto a respeito da viagem e os propósitos
da empreitada.
Os imigrantes, segundo o Sr.Nilo Valtonen viajaram com seus
próprios recursos, não tendo sido ajudados pelo governo
Quando
chegaram outros finlandeses a vida da fazenda começou com muito entusiasmo.
Discutiam muito, tanto amigavelmente ou não.
Como Toivo havia comprado
a terra em seu nome e não vendeu terras a ninguém por um bom tempo,
sua recusa era argumentada por diversas razões, como desnecessidade de
pagar impostos, fazer cercas etc. O lavrador finlandês é em geral
independente e quer ser dono de suas terras e não gostava da situação
como estava.
Os finlandeses trabalharam com afinco mas encontraram grandes
dificuldades.
Nos depoimentos dos finlandeses que chegaram na primeira leva,
Dona Eva Hilden, que era uma menina de 5 anos por ocasião da viagem, ficou
triste ao ver a família vender seus objetos na Finlândia. Ficava
com medo de ir nesse grande barco para o Brasil e o barco afundar.
Toivo era
amigo de seu pai. Considerado um idealista por todos que o conheciam, dizia que
se sentiu chamado a sair de sua terra e procurar um país tropical onde
poderia levar aquela vida do paraíso que foi uma vez perdido. O pai dela
aprovava a idéia e seguiu Toivo, meses depois, levando sua família,
saíram da Finlândia no dia 10 de Junho de 1929. Chegaram no fim do
mês em Penedo. Não havia habitações além da
Casa Grande e a antiga senzala. Nada de árvores ou flores. Só morros
vazios. Todos moravam na casa até construírem suas próprias
moradias. Viviam numa espécie de kibutz mal organizado, segundo o Sr. Nilo
conta. A casa do pai de Eva foi a primeira a ser erguida pelos finlandeses em
Penedo. Encontraram, por outro lado, o sol maravilhoso, o encanto e calor tropical,
ar puro e agradável, o riozinho cristalino, as montanhas majestosas do
maciço de Itatiaia e acolhida gentil dos brasileiros. (Essa foi a descrição
da menina Eva ao chegar ao Brasil).
O alimento, entretanto, não era
o esperado e ideal. Não havia frutas nem nozes, Penedo era uma antiga fazenda
de gado e não havia árvores frutíferas. Comiam modestos feijão
e arroz, as mulheres faziam pão de fubá que saboreavam com gordura
de coco derretida pelo calor.
Os finlandeses começaram a trabalhar
e a plantar muito e - a matar saúvas em breve surgiram hortas abundantes,
a primeira sauna e problemas.
De Marechal Jardim chegaram mudas de bananeiras.
Estas eram plantadas nos barrancos desde a Fazenda Barbosa até a Fazendinha,
com mais de 5km de extensão. Tornou-se quase que única fruta constante
no local.
Os problemas se referiam a coisas estranhas e novas que eles tinham
que se adaptar ,a língua nova, a saudade da antiga terra e dos amigos.
Já no final de 29, muitos imigrantes desiludidos voltaram para a Finlândia.
A imigração de maior vulto ocorreu no fim da década de vinte.
Foram 3 colônias: Villa Alborada no Paraguai, Colônia Viljavakkaa
na República Dominicana e Haiti e Penedo no Brasil.
No caso de Penedo
foi uma imigração organizada. Diz o senhor Olavi, que Toivo, o jardineiro-arquiteto
de Antrea foi o ideólogo da colônia.
.
O Sr, Olavi nota,
que no conceito Penedo não havia nenhuma intenção política,
como não estava em foco o enriquecimento rápido, nem especulação
econômica. Toivo tinha em mente a utopia clássica do paraíso
terrestre.
Na sua vinda Toivo visitou 4 estados: Rio, Minas Gerais, Espírito
Santo e São Paulo.
A fazenda foi comprada do Mosteiro de São
Bento por 350 contos de réis. Tinha 2.500 hectares. Foi comprada em nome
de Toivo Uuskallio.
Alguns que vieram nessa época, só vieram
pela aventura. Brasil, Penedo e a América do Sul eram algo de novo, excitante
e estimulante.
Alguns vieram por problemas pessoais, outros para curar doenças.
O próprio Toivo se curou tornando-se vegetariano. Nem todos que vieram
pensavam em ficar definitivamente no Brasil. O grupo não era homogêneo.
Nem todos acompanhavam o sonho de Toivo ou havia os que achavam esses ideais sem
importância.
Para muitos a desilusão logo ocorreu, pois embora
a natureza da terra fosse luxuriante, nada acontecia sem muito trabalho.
Como
de esperado, Toivo conservou o "cargo de diretor". Como era jardineiro
e vegetariano, excomungou a idéia de criação de gado. Até
o leite das crianças era necessário comprar nas fazendas vizinhas,
o que indignava a muitos.Toivo também era autoritário e onipotente
ao dirigir o trabalho. Ele resolveu mal as questões financeiras e pediu
empréstimos com juros altos, emprestou mais para amortizar e dessa forma
entrou num círculo vicioso de dívidas. Ele pensava que como acreditava
no que fazia, acreditando que poderia pagar, isso se resolveria. O que não
foi bem o caso.
No Brasil ,Toivo era o proprietário jurídico
do Penedo e muitos dos que aplicaram seu dinheiro no empreendimento, de boa fé,
perderam seus investimentos, pelo seu mal gerenciamento.
Por essa razão
ele foi muito criticado e acusado. O caso parece ter sido mais simples, apenas
incapacidade de gerir financeiramente o negócio, o que não excluía
a sinceridade de suas aspirações (mas também não serve
como desculpa, em casos de perda de dinheiro).
A esposa de Toivo - Liisa -
foi para todos uma imagem de mãe e primeira dama da colônia.
Algumas
das detalhadas instruções de Toivo provocavam irritação
, outras até hilaridade. Algumas histórias engraçadas sobre
ser proibido e de grande pecado fazer e tomar café (na terra do café!)
o que gerou um número sem fim de histórias de orgias do café
e brincadeiras de consumo de galinhas.
O golpe final veio quando os produtos
estavam prontos para ser vendidos e não podiam ser colocados no mercado
por problemas de intranqüilidade política.
E também se
estava no começo da segunda Guerra Mundial cujos efeitos também
chegaram até a pequena Penedo.
Em 1942 Toivo teve que vender parte
da fazenda demonstrando que sua utopia era isso mesmo - uma utopia. Foi de grandes
problemas esse período para a colônia, principalmente para aqueles
que tinham participado tão entusiasticamente do plano Penedo. Uma companhia
suíça comprou a metade da fazenda e veio uma nova fase ligada ao
empreendimento suíço e desta vieram outras mudanças.
A grande mudança veio,quando,os finlandeses passaram da agricultura para
novos ramos como pensões ,saunas e procurar profissões criativas.
Desde 1930 cultivava-se bucha, mas nos anos 60 é que esse cultivo ganhou
impulso. O pessoal passou também a fazer tecelagem.
As saunas existiram
desde 1929 e depois da guerra as saunas se espalharam por todo o país.
Consta que o Tijuca Tenis Clube fez a primeira sauna, seguido do Hotel Glória.
Por volta de 1930 organizam-se bailes, mas de forma velada, já que dançar
era considerado pecado.
Depois de 1932 dançava-se no terreno cimentado
em frente ao sobrado.
Em 1935 dançava-se no salão de baixo do
sobrado.
Depois da venda da fazenda chegou-se a idéia de fazer um salão
de bailes.
No começo não se cobrava entrada e mais tarde começou
a cobrar e também passaram a vir pessoas de Resende e Barra Mansa.
No
início do século XIX o transporte da região se fazia por
via terrestre. Em pendoso desfilar, as topas de muares abriram os caminhos do
Oeste para o Leste. Do Sul vinham grandes levas de tropeiros gaúchos fornecedores
de mulas para a lavoura cafeeira e escoamento do mesmo para Angra dos Reis. Foi
do Norte que mineiros transpuzeram a Mantiqueira para o Vale do Paraíba
e lançaram as primeiras raízes da sociedade colonial itatiaiense.
Foi na década de 1860 e no início de 1870 com a fase áurea
do café - o Ouro Verde, que surgiu a exploração fluvial pelo
Rio Paraíba com barcos enormes que navegavam desde Barra do Piraí,
navegavam rio acima até Itatiaia (então Campo Belo), para atender
os grandes comerciantes desta época. Considerado um dos maiores entrepostos
alfandegários e comercial para o qual inclusive eram despachadas para o
Rio de Janeiro as produções dos municípios paulistas de Queluz
e Areias. Os trilhos da Estrada de Ferro D. Pedro II, chegaram a Itatiaia em 1873,
substituindo aos poucos o comércio fluvial até Barra do Piraí.
Com o fracasso da lavoura do café, por causas amplamente conchecidas e
em conseqüência do surgimento de leis anti-escravistas, a maioria das
fazendas de café de Itatiaia voltaram-se para a pecuária de ponta
e a leiteira, que garantiu a sobrevivência econômica, mas representou
significativa mudança em relação aos áureos tempos
da "febre cafeeira". Foi em Itatiaia que surgiu o primeiro exportador
fluminense de manteiga e o segundo em leite que era transformado em vagões
frigoríficos. Hoje, como marcos rurais, existem as Fazendas Belos Prados
e da Serra, as primeiras que se sabe, exploradas como hotéis fazendas,
hoje bastante difundido na área. Com a construção da Rodovia
Presidente Dutra, por volta de 1950, ligando o Rio de Janeiro e São Paulo
e mais a Hidrelétrica do Funil, a cidade iniciou um novo ciclo de atividades
e desenvolvimento com a instalação de grandes empresas, e o início
da atividade turística que caracteriza de forma marcante essa região.
Foi no século passado que os cientistas naturalistas, geólogos e
botânicos, visitaram e estudaram o Maciço do Itatiaia. Hoje o município
e cidade de Itatiaia emoldurados pela paisagem do Maciço do Itatiaia com
suas elevações, picos, cascatas, rios, matas e vales é um
convite permanente para os turistas ocuparem os hotéis da região,
seja no próprio Parque Nacional do Itatiaia, seja em Penedo, antiga colônia
finlandesa fundada em 1929, ou ainda nas Vilas de Maringá e Maromba – na
região de Visconde de Mauá.