
O
Cometa brilhante de 1843,a " Estrela de Caxias" pintado
no Rio de Janeiro em 1843 por José dos Reis Carvalho, mestre
de Desenho da Escola Naval .Pintura que se encontra em mau estado
no IHGB. Foi por nós fotografada e restaurada com auxílio
de computação, pelo Capitão de Fragata Carlos
Norberto Stumpf Bento, webdesigner do site da AHIMTB . www.resenet.com.br/users/ahimtb.
Em
9 nov 1842, precedido da justa fama de pacificador do Maranhão,
Minas Gerais e São Paulo, o Barão de Caxias assumiu
a Presidência e o Comando das Armas da Província
do Rio Grande do Sul, com a missão de a pacificar ,depois
de 8 anos de luta fratricida.
Tomou as medidas para apoiar a sua campanha e sair em campo, conforme
abordamos em O Exército Farrapo e os seus chefes.(Rio de
Janeiro:BIBLIEx,1993.2v).
O Exército que iria comandar, encontrava-se no Passo São
Lourenço, no rio Jacuí, a montante de Cachoeira
do Sul e a pé. Para remontá-lo executou ousada,
incruenta e feliz manobra, ao transportar ,por terra, desde o
Rincão dos Touros em Rio Grande, passando por Pelotas,
São Lourenço, Camaquã e Tapes, 7.000 cavalos
para reconquistar a mobilidade daquele Exército que lhe
caberia comandar.
Ao iniciar, em 19 mar 1843, sua marcha de Cachoeira - São
Gabriel, seus soldados divisaram nos céus um fenômeno
jamais visto. Era um enorme cometa que os soldados logo batizaram-
É a boa estrela do nosso general barão de Caxias
!É a Estrela de Caxias !
E o imaginário popular entrou em cena! E a nova se espalhou
pelo Exército como um rastilho de pólvora .E foi
sendo passada ao povo gaúcho, em caminho, não demorando
a chegar nos acampamentos dos farrapos em Alegrete ,onde eles
haviam se reunido em Constituinte, e o fenômeno os levou
a crer ser um mau presságio à causa!
O cometa possuía um enorme cauda apontando justo para o
Alegrete. Foi vista enquanto durou a marcha de Caxias, de 16-30
mar 1843, no itinerário Cachoeira- São Sepé-
São Gabriel- Alegrete-Santana. E neste local chegaram em
30 de março ,Caxias, o seu Exército e a sua "Estrela
".
Sobre este fenômeno pedimos ao grande astrônomo Ronaldo
Rogério Mourão, cientista pela Sorbonne e de renome
internacional e nosso confrade no Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro (IHGB)que fizesse uma comunicação
ao NEPHIM(Núcleo de Estudos e Pesquisas de História
Militar ),do Instituto de Geografia e História Militar,
que coordenávamos, no que fomos prontamente atendidos.
Sintetizando sua elucidativa explicação científica
da "Estrela de Caxias", que os soldados e o povo gaúcho
tomaram como um sinal de sorte e fortuna para Caxias e, alguns
farrapos, como um mau presságio para a causa que há
8 anos defendiam.
O que no Rio Grande foi denominada "Estrela de Caxias"
que em realidade foi designado nos anais de Astronomia de Cometa
Brilhante de 1843. Ele foi um dos mais notáveis que apareceram
de 1800-1899.Tal era o seu brilho intenso que foi observado à
luz do dia em diversos pontos do globo terrestre. Ele foi descoberto
em 5 fev 1843. Foi observado na Europa em 17 e 18 mar 1843. Nos
EUA a sua última observação foi em 19 abr
1843. No Rio de Janeiro astrônomos o observaram de 8 fev-3
abr 1843.
O Cel Pedro de Alcântara Bellegarde ,diretor da Escola Militar
do Largo do São Francisco o estudou do Observatório
Astronômico da Escola. Ele estimou sua cauda de tamanho
igual ou maior do que a distância Terra- Lua, mas em realidade
era o dobro desta distância, ou 323 milhões de quilômetros.
Bellegarde previu até a colisão da Terra com a cauda
do cometa, cujos efeitos seriam inapreciáveis por constituída
de gazes.
O cientista D.Pedro II também o observou e afirmou que
a cauda quase atingia o zênite.
O Cometa Brilhante de 1843 ou a "Estrela de Caxias",
foi pintada por José dos Reis Carvalho, mestre de Desenho
da Escola Naval.
Esta pintura encontra-se em mau estado no Museu do Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro, na Lapa, no Rio. E na mesma dependência
da invicta espada de 6 campanhas de Caxias e do seu binóculo
com o qual acompanhou impressionado no Rio Grande do Sul o cometa
que passou à tradição e ao folclore gaúchos
como a "Estrela de Caxias."
Decorridos 4 anos do aparecimento da "Estrela de Caxias",
o barão de Caxias foi admitido, em 11 mai 1847, no Instituto
Histórico e Geográfico Brasileiro(IHGB) ,como sócio
honorário. Entidade que desde 1925 abriga como a sua maior
relíquia ,a espada de campanha de Caxias, da qual, o hoje
Espadim de Caxias ,arma distintivo do cadete do Exército,
,criada em 1931,pelo então cel José Pessoa , é
cópia fiel reduzida.
Sobre o Cometa Brilhante ,ou "Estrela de Caxias" Dutra
Mello escreveu:
"Oh! quem diz que não são núncios
do Eterno!
Oh !quem me diga que um tal astro um ser não possa,
O anjo do Sistema que passeia,
Visitando os domínios que dirige ?"
Indiscutivelmente , durante e após o aparecimento da "Estrela
de Caxias" este teve muita sorte. Conseguiu consolidar a
Unidade Nacional, em 1 o mar 1845 com a Paz de Ponche Verde em
condições honrosas.
Foi eleito pêlos gaúchos senador vitalício,
cargo que exerceu por cerca de 30 anos Eleição não
por méritos políticos ,mas por reconhecimento e
gratidão dos gaúchos, cuja psicologia e valores
apreendeu e com eles bem se comunicar, ao ponto de certa feita
dizer a seu grande amigo General Osório e até de
certo modo seu confidente, ao lhe encarregar de mobilizar o 3
o Corpo de Exército no Rio Grande ,para a Guerra do Paraguai
em 1866:
"- Fale a estes guascas(bravos, destemidos, intrépidos)
naquela linguagem que nos dois sabemos falar!"
O seu mandato de senador pelo Rio Grande lhe assegurou condições
para chefiar o Governo do Brasil por mais de 4 anos ,como Chefe
do Gabinete de Ministros; ser Ministro da Guerra por mais de 6
anos e, o Comandante- em- Chefe dos brasileiros em duas guerras
externas em que estiveram em jogo a Soberania e Integridade do
Brasil.
Foi um brasileiro providencial! Se pode até afirmar sem
erro que o século XIX foi o Século de Caxias no
Brasil!
Falou-nos o ilustre astrônomo sobre a" Estrela de
Caxias!" O que teriam a dizer-nos sobre ela os astrólogos
? Aguardemos !!!
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(x)Presidente da Academia de História Militar Terrestre
do Brasil e do Instituto de História e Tradições
do Rio Grande do Sul e presidente emérito e fundador das
academias Resendense e Itatiaiense de História