A
CASA DAS 7 MULHERES
(A História e a Fantasia)
NOTA:FUNDAÇÃO
DA ACADEMIA PIRATINIENSE DE HISTÓRIA
Dia
6 de julho, no contexto da comemorações do 214 anos da
fundação de Piratini, a convite de um grupo de Piratini
o Cel Claudio Moreira Bento, na condição de Presidente
da Academia de História Militar Terrestre do Brasil, do Instituto
de História e Tradições do Rio Grande do Sul e
da Academia Canguçuense de História fundou a Academia
Piratiniense de História e como Presidente Fundador e Instalador
da mesma.
A citada Academia tem como patrono o Comendador Manoel José Gomes
de Freitas e como patronos de cadeiras entre outros, os generais Bento
Gonçalves da Silva e Antônio de Souza Netto, o Major Bernardo
Pires e Luiz Carlos Barbosa Lessa etc.
O ato de fundação teve lugar na sede do CTG 20 de Setembro.
por
Cláudio Moreira Bento(x)
Gaúcho natural da Serra dos Tapes onde se encontra a cidade de
Piratini e Canguçu, o seu distrito de mais perigo e mais farrapo"
durante a Revolução Farroupilha 1835-45 e, além,
autor do livro O Exército Farrapo e os seus Chefes em 1991 e
outros sobre o assunto , cabe-me fazer algumas considerações
históricas sobre o magnífica mini série A Casa
das 7 mulheres da Globo que vem com traje de gala divulgando a Revolução
Farroupilha, onde possui suas raízes a República Federativa
do Brasil implantada há 114 anos.
A minisérie atende em seu miolo ou espinha dorsal ,até
agora ,o desenvolvimento histórico da Revolução
Farroupilha.
Mas como disse seu diretor Jaime Monjardin "ela possui 40 % de
História e 60 % de fantasia".E aproveitou um tema histórico
e o vestiu de gala com toda a pompa e circunstância e de forma
notável.
No tocante a Fantasia como elemento notável para atrair os teleespectadores
e passar-lhes o essencial da História ,usou recursos inexistentes
na época e tudo, por conta da citada e louvável fantasia.
Exemplos :O uso de lenços vermelhos e brancos pelos farrapos
e imperiais, um costume que remonta a Guerra Civil na Região
do Sul 1893-95. O cenário lindíssimo dos Aparados da Serra
onde a revolução não chegou. Luxo nas estâncias
,casas e igrejas incompatível com aspecto espartano das mesmas
do que a estância de Bento Gonçalves em Cristal-RS , hoje
Parque Histórico em sua memória é um exemplo .Imperiais
entrando a cavalo dentro de uma igreja quando os santos no Império
eram mais respeitados que os próprios generais e a canção
do Exército era a de N. S. da Conceição a sua padroeira.
Era raro o uso de carroças e sim carretas. E não existiam
carruagens que só aparecem em Pelotas por volta de 1865 .
Os Farrapos não possuíam uniformes conforme abordamos
no livro citado e nem usavam bigodes. As casas não possuíam
vidraças o que só apareceria mais tarde. Tanto que o Ministro
de Fazenda Domingos de José de Almeida , mineiro de Diamantina,
levava em suas viagens em sua carretinha ,uma pequena janela com vidraças
para instalar nos locais onde montava o seu escritório itinerante.
Aliás ele não foi ainda citado bem como os cariocas João
Manoel Lima e Silva e José Mariano de Matos, oficiais com curso
na Escola Militar do Largo de São Francisco.
E aos três se deve a idéia depois da vitória de
Seival da proclamação da República Rio Grandense
em 11 set 1836 em Campo do Menezes pela Brigada Liberal de Antônio
Netto e composta de 4 esquadrões mobilizados em Piratini, Canguçu,
Cerrito e Bagé .
João Manoel foi o primeiro general farroupilha e foi assassinado
pelos imperiais em São Borja e de lá trasladado para Caçapava
do Sul e ali espalhados seus ossos pelos campos por imperiais. Era tio
do futuro Duque de Caxias.
José Mariano de Matos foi Ministro da Guerra Farrapo, vice presidente
da República e seu presidente interino e autor do brasão
farrapo e adotado desde 1891 pelo Constituinte Gaúcha. Ao fim
da Revolução foi Ajudante General de Caxias na Guerra
contra Oribe e Rosas 1851-52 e terminou como Ministro da Guerra do Império
em 1864.
A minisérie exagerou nas tintas revolucionárias ao tratar
do maior general do período ,o sorocabano General Bento Manoel
Ribeiro que assim foi defendido pelo grande Osvaldo Aranha.
" Bento Manoel, o grande farroupilha foi até certo ponto
a figura mais caluniada da nossa história. Não lhe compreendiam
as aparentes variações e transigências . Não
lhe perdoavam o monarquismo destoante do espirito da Revolução
.Investigações mais profundas permitiram resgatar a verdadeira
figura moral do soldado. Bento Manoel é um dos maiores tipos
do Rio Grande. Guerrilheiro e soldado, a sua fé de ofício
não inveja a de ninguém. Lutou pelo Rio Grande sem nunca
perder de vista a Integridade do Brasil "
Concordamos com Osvaldo Aranha e na História da 2ª Brigada
de Cavalaria Mecanizada estamos abordando os argumentos em que ele justificou
suas atitudes e que nunca foram ouvidos e considerados e sim abafados
por esta quadro popular no folclore gaúcho.
" Pode um altivo humilhar-se
pode um teimoso ceder,
pode um pobre enriquecer,
pode um pagão batizar-se
pode um avaro emprestar,
um lascivo confessar-se.
tudo pode ter perdão!
Só Bento Manoel não "
Lamento a abordagem exagerada da figura de Bento Manoel pela minisérie
, que se reflete negativamente em seus descendentes que por ai se encontram
, merecendo destaque o General Bento Ribeiro, hoje nome de um bairro
no Rio e que como Chefe do Estado - Maior do Exército criou a
celebre Missão Indígena da Escola Militar do Realengo
( 1919-1921 ).
Não sabemos em que fontes a minisérie buscou apoio, pois
não vi ela referir-se a nenhuma delas o que me parece seria ético
e justo que o fizesse, como homenagem a todos aqueles que com suas pesquisas
possibilitaram os argumentos para Jaime Monjardin .Isto fortaleceria
a democracia e o direito à propiedade intelectual .Fica o registro!
Não chego ao ponto de alguns escritores classificarem esta ausência
de referência a seu trabalhos de pirataria intelectual .Talvez
a autora do romance A casa das 7 mulheres tenha feito em seu livro .
Em 1971 produzimos o livro A Grande Festa lanceiros focalizando a inauguração
do Parque Histórico Osório em Tramandai e nele ,em razão
de replica do barco Seival ali colocado ,resgatamos o feito épico
do transporte dos barcos Seival e Farroupilha ,da Lagoa dos Patos ao
Atlântico .E junto as histórias de Garibalda, Anita , e
do norte-americano John Crigs, esquecido na minisérie em sua
grandesa e que atuou como construtor e comandante do barco Seival, em
cujo comando encontrou a morte na batalha naval de Laguna. E mais os
esquecidos lanceiros negros farrapos e seu líder o Cel Joaquim
Teixeira Nunes , natural de Canguçu e considerado pelo General
Tasso Fragoso como "a maior lança farrapa."
Isto nos fez sugerir neste livro ,então pela presença
de Garibaldi, John Grigs e Anita, um consórcio cinematográfico
Brasil, EUA e Itália para fazer um filme que hoje a minisérie
esta fazendo com grande brilho que nos enche de orgulho .
A novela e magnífica . Os reparos correm por conta do tratamento
injusto de Bento Manoel na minisérie e ela em seu excelente trabalho,
não mencionar os historiadores que ajudaram a fazer o seu trabalho
preservando a memória desta revolução .
E o que a Globo realizou é do agrado geral , menos para o descendentes
do General Bento Manoel apresentado como um homem diabólico sem
levarem em conta o quanto lhe devem a Unidade, a Soberania e a Integridade
do Brasil e mesmo a expansão do Brasil no Sul de 1801 a 1828.
Confirmar é obra de simples raciocínio e verificação
!
E por último: A Revolução Farroupilha conforme
demonstramos no livro citado foi feita pela guarnição
do Exército do Rio Grande a maior da época ,em apoio aos
fazendeiros e charqueadores que integravam a Guarda Nacional que era
comandada por Bento Gonçalves.
As 6 unidades do Exército que guarneciam a Província se
revoltaram :1 de Infantaria, 1 de Artilharia e 4 de Cavalaria.
Bento Manoel e Bento Gonçalves eram oficiais de Estado Maior
do Exército e vinham de comandar a Cavalaria de Rio Pardo e Jaguarão.
Só o comandante do 2º RC de Bagé não se revoltou
e o Ten Osório, hoje patrono da Cavalaria, aderiu a revolução
e conduziu seu comandante até a fronteira.
Sintetizando a minisérie satisfaz a História em sua espinha
dorsal e a fantasia no esplendor de suas imagens onde ressaltam gravuras
da época de Porto Alegre e Rio Grande que conseguiram movimentar
dando um impressão de realismo ,acredito que por conta do gênio
de Hans Donner .Vamos aguardar o que vem por ai e como Caxias o seu
pacificador será tratado historicamente na minisérie em
seu bicentenário de nascimento em 2003 ? ocasião em que
lancaremos um livro Caxias e a Unidade Nacional o reverenciado como
patrono da Academia de História Militar Terrestre do Brasil .
( Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil
e do Instituto de História e Tradições do Rio Grande
do Sul ) bento@resenet.com.br
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