Anita Garibaldi

Exemplo de

Liberdade,

Justiça e

Fraternidade

Admirada no Brasil e idolatrada na Itália, onde morreu há exatos 150 anos, a humilde jovem lagunense Ana Maria de Jesus Ribeiro, conhecida como Aninha do Bentão, uniu-se a um revolucionário, foi soldado, enfermeira, esposa e mãe. Em todos os papéis, sua batalha sempre foi travada em nome da liberdade e da justiça. Tornou-se assim Anita Garibaldi, a "Heroína dos Dois Mundos" .


Menina de origem humilde, sem nenhuma instrução, calça seu primeiro sapato já moça. Porém, possui uma tenacidade e um amor à liberdadesó reservada aos grandes vencedores.
Assim Garibaldi refere-se a Anita, quando dita sua biografia a Alexandre Dumas: "Era Anita a mãe dos meus filhos, a companheira da minha vida nas boas e nas más horas, a mulher cuja coragem tantas vezes desejei fosse minha". Foi dentro desta cumplicidade, só existente entre quem vive um grande amor, como o que viveram Anita e Garibaldi.
Anita participa das lutas em Imbituba, na tomada de Laguna, e em Curitibanos, onde foi capturada. Consegue fugir e em Lages, às margens do Rio Pelotas, cuida dos poucos sobreviventes feridos. Seus gestos de bravura e coragem, quando em defesa de seus ideais de liberdade, lhe renderam o título de "Heroína dos Dois Mundos" (recebe este título em função de ter lutado primeiramente aqui na América e morrer lutando na Europa, mais precisamente na Itália, por seus ideais).
Na atitude natural dessa heroína simples existe a força convincente de um símbolo. E é cultivando nossos heróis que assumimos os compromissos do presente, dos quais resultarão as realizações do futuro.

Em meados de 1836, Bento Gonçalves instaura o governo da Nova República Rio-Grandense. Nessa época, Ana de Jesus Ribeiro, ou simplesmente Anita, deixa para trás sua adolescência, firmando-se com um caráter independente e resoluto, e Giuseppe Garibaldi desembarca no Rio de Janeiro, iniciando um exílio que durou 10 anos.
Nessa cidade Garibaldi conhece Lívio Zambiccari, Secretário de Bento Gonçalves e Luiggi Rosseti, que lhe falam do Movimento Farroupilha. Alista-se a este Movimento como corso, recebendo a patente de Capitão-Tenente a serviço da República rio-grandense. Ele luta com tanta bravura e idealismo, incorporando de tal maneira a figura do gaúcho, que já velho, na Itália, aparece vestindo o poncho e o lenço vermelho, símbolos da Revolução Farroupilha.

FONTE:

Texto: Lígia Stoeterau - Historiadora
Organização:
Assessoria Cultural da Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina
Fotos e Pinturas: Retiradas do livro Anita - A guerreira das Repúblicas - Adílcio Cadorin.


"Filha do povo"
"Ana não era nenhuma formosura de dama unânime e universal, mas tão somente uma fisionomia a traços puros e severos, revelando um espírito varonil, inabalável em seus sentimentos e afetos. Era uma dessas filhas do povo a quem a natureza dotara com caracteres definitivos, imutáveis, almas austeras, amando uma só vez na vida e com abnegação e heroicidade." (Virgílio Várzea)

"Luz e fascinação"
"Sem ter sido formosa propriamente, nem possuidora de sólida cultura, onde quer que Anita Garibaldi aparecesse, dela se irradiavam a luz e a fascinação de uma extraordinária personalidade, duma vontade inquebrantável e senhorial; luz e fascinação poderosas a ponto de constrangerem ainda hoje - impossível a presença física de Anita - até mesmo a um pessimista que se dispuser a detalhar a biografia. A mera curiosidade inicial do estudioso brevemente cederá lugar à atenção maior..." (Wolfgang Rau)

Caráter era "independente e resoluto"

"Desde cedo ela revelou caráter independente e resoluto e uma singular firmeza de atitudes. Além disso muito amor-próprio e a coragem e a energia que certamente herdara do pai. Não tolerava certas liberalidades, naqueles tempos de rígidos costumes. O seu temperamento levava-a, por vezes, a atitudes que causavam sérios desgostos à atribulada mãe". (Ruben Ulysséa)


Terra natal ganha estátua em 1964
Inauguração do monumento integrou atividades que lembraram os 115 anos de morte da lagunense. Anos antes, começou-se a falar no translado das cinzas de Anita

Anita só ganhou uma estátua em sua terra natal 115 anos após a morte, resultado dos esforços de um grupo que batalhou 14 anos para concretizar o objetivo. A inauguração ocorreu em setembro de 1964, mas o movimento começou no dia 10 de julho de 1955. "A não existência de vistoso monumento consagrado à memória de Anita é lacuna imperdoável", assinalava o escritor Ildefonso Juvenal.

União com o desterrense Manoel Duarte de Aguiar, em agosto de 1835, não trouxe filhos nem alegrias para Aninha. Infeliz, não hesitou em acompanhar sua grande paixão

Ana Maria de Jesus Ribeiro casou-se em 30 de agosto de 1835, na Igreja Matriz de Laguna com Manoel Duarte de Aguiar, um sapateiro nascido na Barra da Lagoa ou Ingleses, em Desterro, hoje Florianópolis. O registro encontra-se no Livro de Casamentos de 1832 a 1844 da mesma igreja, assinado pelo padre Manuel Francisco Ferreira Cruz, atualmente sob os cuidados do Arquivo Episcopal de Tubarão.

As razões para o fracasso do casamento, apontadas pelos que escreveram sobre Anita, são diversas e muitas delas destinadas a justificar o fato de haver deixado Manoel Duarte para ficar com Giuseppe Garibaldi. A conclusão mais razoável é a de Wolfgang Rau. Primeiro, ela foi "gravemente negligenciada e mesmo abandonada por seu primeiro marido". Segundo, porque Manoel, "após o casamento, continuou com seu trabalho, limitado a bater solas, gostar de cachorros e de pescarias noturnas. Dificilmente se lhe via um sorriso; acanhado com as pessoas estranhas, provia, metódico e organizado, o difícil pão de cada dia".

Com o passar do tempo, ainda segundo Rau, o marido de Aninha passou a "demonstrar em casa o seu caráter conservador e ciumento. Avesso às mudanças de situação, era reacionário a todas as novidades. Viu-se, pois, Aninha trancada entre paredes, levando vida apagada e monótona, sem ao menos ter com quem expandir suas idéias ou a quem relatar seus sonhos, originados de exaltada imaginação, em procura permanente de horizontes mais dilatados. Em breve, compreendeu não estar realizada ao lado do pacato marido, o qual não lhe confirmou, sequer, fecundidade".

Introvertido, "era de todo e por tudo inadequado para esposo de Anita; passado o primeiro momento de vida em comum, revelou-se aos dois o erro desse matrimônio omisso de maturidade. Sem filhos e sem alegrias partilhadas, veio a ficar-lhes apenas o arrependimento de terem casado". Em resumo, um casamento "falho de prazer e de fruto", complementa Rau.

Na introdução ao precioso "Anita Garibaldi - Uma Heroína Brasileira", de Wolfgang Rau, Oswaldo Rodrigues Cabral critica os "historiadores ufanistas", que procuram encontrar uma "justificativa para o ato de Ana de Jesus abandonar o marido e atirar-se nos braços de Garibaldi". Acha que não faz sentido pensar "que para ser uma heroína, para se ter ingresso na imortalidade, para se figurar no Panteão da História, é imprescindível atestado de boa conduta, folha corrida, carta e antecedentes ideológicos, atestado de vacina, CPF e outros documentos que nos situam no tempo e no espaço, a nós simples mortais, que figuramos do lado de cá da aurora boreal da glória".

Estes, segundo Cabral, "imaginam que o esplendor da imortalidade fica embaciado por falta do cumprimento de certas regras que marcam, na planície, o nosso comportamento de cada dia. Nada disto! É preciso que se diga que há muita santa venerada nos altares cujo pecado se não foi o de Anita, talvez tivesse sido muito pior... E que, para ser santa, não se lhe exigiu mais do que a coragem da fé, a bravura do martírio ou a penitência do arrependimento... Anita deixou o marido, abandonou-o porque se apaixonou pelo aventureiro de bela estampa, audaz, que lhe prometia (e lhe deu...) uma vida fora da obscuridade da Carniça ou do Passo da Barra. E está acabado o assunto".

Uma grande paixão arrastou Aninha de Laguna. Ela seguiu Garibaldi, a quem conheceu em 1839, vivendo um romance que durou até a sua morte, dez anos depois, em 4 de agosto de 1849, em Mandriole, Itália. Aninha começou a virar Anita quando Garibaldi a conduziu triunfalmente por meia Itália para o túmulo em Nice. Foi quando se recordou sobretudo sua bravura militar nas batalhas de Imbituba e da Barra, a fuga espetacular na serra catarinense e na pequena São Simão gaúcha, a dedicação como mãe e sobretudo o profundo amor pelo marido, fatores que a transformaram em mito. Anita foi símbolo da Unificação Italiana. Seu nome foi "glorificado" para servir aos interesses do posivitivismo após a proclamação da República no Brasil.

A lagunense continua atenta. Nas décadas de 30 e 40 o mito serviu aos interesses no fascismo na Itália, no Brasil tinha a imagem usada pelo integralismo direitista, enquanto muitos núcleos do Partido Comunista se denominavam Anita Garibaldi, nome que foi dado à primeira filha do lendário Luís Carlos Prestes. Tudo isso simultaneamente. Tanto ecletismo talvez a incomode. Mas isso não desvia a sua atenção para o alarido sobre onde deverá, afinal, descansar em paz - se na ilha de Caprera, junto a Garibaldi, em Laguna, para onde falam em levá-la, ou onde está, no Gianícolo, em Roma.

 

Detalhe

Autores como Henrique Boiteux e Leite de Castro, os primeiros a escrever sobre Anita no início do século, omitiram o detalhe do primeiro casamento. Outros, como Valentim Valente e Wolfgang Rau, foram bem mais adiante. "Garibaldi sempre foi reticente com referência ao estado civil de Aninha ao conhecê-la, e isso induziu Alexandre Dumas e autores brasileiros e italianos a perfilharem a versão errônea de que era solteira (e o pai, 'ferrenho imperialista', teria tentado impedir o namoro)", assinala Valente.

Rau acrescenta que "Garibaldi, e mais tarde os seus próprios filhos, ocultaram obstinadamente o fato de ter sido Anita casada em primeiras núpcias com Manoel Duarte". Em 1970, quando Rau conheceu pessoalmente uma neta de Anita, Giuseppina Garibaldi Ziluca, filha do general Ricciotti, citou o primeiro casamento, tendo ouvido um "mas não pode ser, meu pai nunca nos falou nisso!"

Versões

O destino de Manoel Duarte, depois que Aninha e Garibaldi se conheceram, não foi esclarecido até hoje, existindo diversas versões. Uns, como Rau, dizem que foi convocado para a Guarda Nacional, tendo se retirado da vila com as tropas legalistas, diante da vitória das forças rebeldes em Laguna. O mesmo autor ouviu de uma parente de Anita pelo lado materno (Leopoldina Antunes Dalsasso) que tanto o marido Manoel Duarte quando seu pai, Bentão, estariam "entrevados e de cama" na ocasião da chegada dos revolucionários farroupilhas. Também existe a versão de que Duarte morreu doente num hospital em Laguna.

De todas elas, a versão mais intrigante é a que foi localizada pelo arcebispo Dom Joaquim Domingues de Oliveira, escrita por Taciano Barreto do Nascimento, bisneto do tio do primeiro marido, antigo inspetor escolar. Num documento datado de 6 de junho de 1935, analisado por Rau e por Licurgo Costa, são feitas algumas revelações supreendentes. "Segundo informações que tive de dona Lucinda Duarte, viúva de José Duarte, tio do meu pai, Manoel Duarte, marido de Anita, era sobrinho e filho de criação de João Duarte, avô de meu pai'."

O mesmo Taciano informa que Anita, "ao casar-se com seu distante parente Manoel Duarte, fora morar na casa do seu bisavô, o referido João Duarte, no morro da Barra, em frente ao ancoradouro dos navios farroupilhas". Lá, "Garibaldi logo travou relações com João Duarte, sendo freqüentador da casa onde morava também Anita e seu marido", que teria sido "preso pelos soldados de Garibaldi e este apossou-se de Anita, com quem já andava de amores na própria casa de João Duarte, o qual ao saber do desaparecimento do sobrinho pediu a Garibaldi que o mandasse soltar".

Vingança

O italiano teria prometido soltá-lo mas, segundo depoimento de dona Lucinda a Taciano, mas "parecia" que os soldados farroupilhas "o haviam matado". Mas, também se dizia que Manoel Duarte fora efetivamente solto e, por vingança - "esta será a versão mais aceitável", segundo Licurgo - se alistara nas tropas imperiais. "Garibaldi então levou Anita para uma moradia no lugar denominado Rincão, bairro de Laguna, onde passaram a viver juntos", segundo o descendente de Manoel Duarte. O pesquisador Wolfgang Rau também considera essa hipótese a mais aceitável.

Segundo Oswaldo Rodrigues Cabral, o fato de Aninha haver rompido o primeiro casamento "não causou escândalo extraordinário na Laguna. Ana era moça humilde, que não freqüentava a sociedade local mais classificada", assinala. "Evidentemente", completa, "provocou comentários, pois era mais uma das provas do comportamento reprovável dos revolucionários, cuja soldadesca não só submetia a população a maus tratos e vexames, como seus próprios chefes seduziam e furtavam dos lares mulheres inexperientes e crédulas."


 

Municípios
disputam cidadã ilustre

Diferentes estudos indicam que Anita Garibaldi pode ter nascido em Laguna, Tubarão ou Lages. Certeza, entretanto, ninguém tem, mas a primeira versão é a mais difundida

As polêmicas sobre o local e data de nascimento de Anita Garibaldi começaram há quase um século, alimentando o mito ao longo das décadas e mantendo o nome da heroína no noticiário. Até o final do século passado havia um consenso entre os historiadores - destacando-se Henrique Boiteux e mesmo Virgílio Várzea, em seus primeiros escritos sobre o tema - de que ela havia nascido na localidade de Mirim, hoje pertencente a Imbituba, na época sob jurisdição de Laguna.

Quando escreveu "Garibaldi na América", em 1902, Várzea pediu a ajuda de "um amigo de Tubarão, que pediu a outro amigo para ajudar, e este localizou um senhor com mais de 90 anos de idade, Anacleto Bittencourt. Este senhor Anacleto disse haver conhecido Anita ainda pequena, em Morrinhos de Tubarão, onde ela também teria nascido", explica o pesquisador lagunense Antônio Carlos Marega. Essa possibilidade ganhou um reforço importante por volta de 1911, com o depoimento de Maria Fortunata da Conceição, a dona Licota, que teria vivido até os 120 anos.

A versão foi colhida por José Luís Martins Colaço, filho do coronel João Luís Collaço, "prestigioso chefe político tubaronense", segundo Walter Zumblick, sendo publicada inicialmente no jornal "Folha do Comércio" (agosto de 1911) e transcrito na revista "Poliantéa" (7 de maio de 1936), comemorativa ao centenário de Tubarão. Segundo Licota, Anita teria nascido em Morrinhos de Tubarão, nas margens do rio Seco, um braço do rio Tubarão. Esse foi "o local onde a família de Bento Ribeiro da Silva sempre residiu", diz Zumblick, após ter vindo de Lages, onde se casara e residira algum tempo.

O aparecimento de Licota estabeleceu um divisor de águas, dando origem às polêmicas que periodicamente ressurgem entre Laguna (Mirim) e Tubarão (Morrinhos). Com base em documentos sabe-se que Bento Ribeiro da Silva, pai de Anita, era tropeiro, natural de São José dos Pinhais, filho de Manoel Colaço e Ângela Maria, tendo se casado em 13 de junho de 1815, em Lages, com Maria Antônia de Jesus, nascida em 12 de junho de 1788, filha de Salvador Antunes (natural de Sorocaba) e Quitéria Maria Soiza (lagunense). Ao todo o casal teve nove filhos.

Quando o escritor Wolfgang Rau publicou os primeiros resultados das suas pesquisas, surgiram revelações que alimentaram mais polêmicas. A localização pelo pesquisador dos registros de batismo de quase todos os irmãos de Anita encorajou o pesquisador lageano Licurgo Costa a publicar uma terceira versão do local de nascimento da heroína. Além de citar depoimentos ouvidos na infância, apegou-se a um detalhe importante: a irmã mais velha de Anita foi registrada em Laguna em 1º de novembro de 1816, não havendo registros das seguintes, Manoela e Anita. Os dois irmãos posteriores, Manoel e Sissília, foram registrados em Lages (1822 e 1824) e os demais em Laguna. Ana Maria nasceu em 1821.

Socorro

Essas revelações reforçaram o que contava Francisco Correia, na casa de quem Anita pernoitou em janeiro de 1840, quando fugiu da prisão em Curitibanos e estava à procura de Garibaldi. Segundo ele, Anita afirmou na ocasião "ser filha de mãe lageana, que o pai era fazendeiro, no Tributo, e que nascera numa fazenda chamada Socorro, para as bandas da serra Geral. Diante deste testemunho, no tempo em que ainda não se discutia qual era o lugar de nascimento de Anita, parece-nos esclarecido um assunto que tem dado margem a tanta celeuma", diz Licurgo Costa. Correia narrou esses fatos à avó de Licurgo diversas vezes.

Outro depoimento citado pelo mesmo escritor é o de Ezírio Rodrigues Nunes, nascido em 1822 e falecido aos 94 anos, em 1916. Sua neta, Maria Palma de Haro, esposa de Martinho de Haro, dizia que Ezírio "muitas vezes contou que uma de suas companheiras de brinquedos e travessuras, na fazenda de Nossa Senhora do Socorro, onde ambos nasceram, foi Anita Garibaldi, que então era conhecida como Aninha do Bentão". Acrescentava que "ele, Ezírio, nascera no ano da independência do Brasil - 1822 - e que Anita era um ano mais velha que ele, tendo, pois, nascido em 1821".

Licurgo reforça sua tese revelando que Dom Joaquim Domingues de Oliveira, "alguns anos antes de falecer, se comprometera a fazer uma conferência sobre Anita. E, como tinha gosto pelos assuntos históricos, meteu mãos à obra e começou a pesquisar os arquivos de sua diocese e outras fontes. Um dia, com o trabalho já quase pronto, comentou para seu secretário que não poderia fazer a conferência: uma revelação que obtivera poderia 'causar atritos muito desagradáveis em Santa Catarina'. E cancelou a conferência". O escritor lageano, contudo, reconhece que foi em Laguna que Anita "se destacou para o mundo".

A descoberta recente de um documento no Museu Anita Garibaldi, em Laguna, reforçou a tese do nascimento da heroína em Mirim. A descoberta foi feita pelo pesquisador Amadio Vetoretti, do Arquivo Histórico de Tubarão, que, ao folhear o livro de "Querelas" de 1815 a 1830 de Laguna, encontrou e registro de um auto que dá João da Costa Coimbra contra Bento Ribeiro da Silva. O querelante acusa o pai de Anita de atacá-lo com uma faca, em 1822, na região de Morrinhos de Tubarão, na época pertencente a Laguna. Como Anita nasceu em 1821, a presença de Bentão no local no ano seguinte serviria como confirmação da versão de que ela também nascera ali.

O pesquisador lagunense Antônio Carlos Marega, que abrira as portas do museu a Vetoretti, ficou intrigado e resolveu investigar melhor a descoberta. Constatou, depois de muito trabalho, que o documento não era de 1821, mas de 1826, o que veio reforçar a tese do nascimento em Mirim, onde Anita teria residido até 4 ou 5 anos de idade, quando a família se mudou para Morrinhos de Tubarão. Ainda menina Anita teria feito amizade com Licota, levando essa última a acreditar, dezenas de anos mais tarde, que a heroína também teria nascido ali. Tudo isso se encaixaria perfeitamente, não fossem a versão e os argumentos levantados por Licurgo Costa de que Anita nasceu em Lages.

 

Itália adotou primeiro
versão sobre Tubarão

A versão do nascimento de Anita Garibaldi em Morrinhos de Tubarão foi a que prevaleceu junto ao governo da Itália, sob o regime de Benito Mussolini, ao ser escolhido em 1932 o local para a colocação de um monumento, constituído de um morro de granito e uma placa, fundida em Turim, com um canhão que teria pertencido ao Seival, na base. Em 23 de junho de 1937 o Batalhão Escola de Tubarão colocou outra placa junto à primeira, reforçando em Tubarão a intenção de vincular o nome de Anita ao da cidade. Em 1985 o artista plástico Willy Zumblick construiu um mural com a imagem de Anita e Giuseppe Garibaldi numa fonte, dando maior destaque ao monumento.

Matéria enviada por JEO BRUNO - Fonte " A Notícia" -


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