MINISTÉRIO DA DEFESA / EXÉRCITO ANO 2.002 CP/CAEM/ECEME-ACADEMIA DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL
COMPÊNDIO DE HISTÓRIA MILITAR TERRESTRE DO BRASIL
BRASIL LUTAS INTERNAS 1500-2001
AS FORÇAS TERRESTRES BRASILEIRAS EM LUTAS INTERNAS
1a PARTE
PERíODO COLONIAL -LUTAS NATIVISTAS (1500-1808).
E
LUTAS PERÍODO MONÁRQUICO 1808-89( E A AÇÃO DE CAXIAS)
Colaboração da Academia de História Militar Terrestre Do Brasil(AHIMTB)
Pesquisa texto e interpretação
Cel Cláudio Moreira Bento - Presidente
Sumário
LUTAS INTERNAS PERÍODO COLONIAL
1-Rebelião de Beckman – Maranhão
2- A quase secular Guerra dos Palmares
4-Guerra dos Emboabas - Minas Gerais
5-Guerra dos Mascates -Pernambuco
6-Revolta de Vila Rica -Minas Gerais (1721)
7-Guerra Guaranítica -Rio Grande do Sul (1752-54)
8-Inconfidências Mineira e Carioca em Minas Gerais e Rio de Janeiro
LUTAS INTERNAS PERÍODO MONÁRQUICO
( e a ação do Duque de Caxias)
No Governo de D. João
9- Revolução pernambucana 1817
No Governo de D. Pedro I
10-Confederação do Equador - Nordeste (1824)
11-A Revolta dos Mercenários 1828 no Rio de Janeiro
Na Regência 1831-1840
12 - A Cabanagem no Pará
13- A guerra dos Cabanos em Pernambuco e Alagoas
14- A Revolta dos Malês na Bahia
No Governo de D. Pedro II
(A ação pacificadora de Caxias)
17- Revoluções liberais de 1842 em São PAULO E MINAS GERAIS
18- A Revolução Liberal em São Paulo ,1842
19- A Revolução Liberal em Minas Gerais ,1842
20-A Farroupilha no Rio Grande do Sul e Santa Catarina 1835-45
(Final ação pacificadora de Caxias)
21-A Revolução Praieira em Pernambuco (1848-49)
22-A Revolta dos Muckers no Rio Grande do Sul (1875)
O DUQUE DE CAXIAS :
Esta publicação deverá capacitá-lo a:
Avaliar o papel das elites políticas e militares e, em especial, a ação pacificadora de Caxias no quadro das lutas internas do Brasil ,no Império
Para melhor entendimento use mapas constantes do Atlas Geográfico do MEC.
LUTAS INTERNAS NO PERÍODO COLONIAL
1-A REVOLTA DE BECKMAN EM 1684
Antecedentes
Em 1570, o rei D. Sebastião,de Portugal, proibiu a escravização dos índios( menos em casos de "guerra justa" ,em que os colonos lutavam em sua legítima defesa).
No Maranhão, a ordem real foi defendida , inicialmente, pelos franciscanos, chefiados por frei Cristóvão de Lisboa, e, mais tarde, pelos jesuítas, que, por esta razão, enfrentaram a oposição dos senhores de engenho. Liderou então os jesuítas o padre Antônio Vieira.
Em 1680,durante a regência do príncipe D. Pedro, foi promulgada outra lei proibindo a escravização do gentio, agravando, dessa forma, ainda mais, a escassez de braços para a lavoura. Tentando resolver o problema, a coroa criou, no ano de 1682, a Companhia Geral do Estado do Maranhão, semelhante à que havia, desde 1649, no Estado do Brasil. (O Maranhão era um Estado à parte, e subordinado diretamente a Lisboa.)
A idéia da coroa era facilitar a importação de escravos africanos, a princípio por intermédio de um contratante, depois pela Çompanhia Geral do Maranhão. De acordo com o seu regimento, a Companhia teria o monopólio (ou estanco) de todo o comércio do Maranhão durante vinte anos. Nesse período deveria introduzir no Estado 10 000 negros, à razão de quinhentos por ano, vendendo-os a prazo, por preço tabelados. Além de escravos, forneceria tecidos e outros gêneros necessários à população local. Em contrapartida, deveria enviar anualmente a Lisboa pelo menos um navio do Maranhão e outro do Grão-Pará, com produtos locais. O cacau, a baunilha, o pau-cravo e o fumo, produzidos na região, seriam vendidos exclusivamente à Companhia, por preços tabelados. Para obtenção da farinha de mandioca necessária à alimentação dos negros que trouxesse da África, poderia ela servir-se do trabalho indígena, pagando de acordo com a legislação em vigor. Graças à intercessão do governador do Estado, Francisco de Sá de Meneses, apenas os jesuítas e franciscanos ficaram livres do monopólio exercido pela empresa.
A atuação da Companhia Geral do Maranhão logo se mostrou funesta aos interesses dos colonos. Além de não fornecer o número de escravos estipulado pelo contrato, usava pesos e medidas falsificados, vendia gêneros alimentícios estragados e estabelecia preços exorbitantes. Esse fato, somado à isenções concedida aos religiosos provocaria uma revolta .
A revolta
Preparada durante vários meses, a revolta de Beckman do Maranhão contra a Companhia Geral do Maranhão ,estourou (24 fev 1684). Foi aproveitada a ausência do governador Francisco de Sá de Meneses. Este havia ido a Belém.
Seus líderes eram Manuel Beckman, rico senhor de engenho, o advogado Tomás Beckman, seu irmão, e Jorge Sampaio. Ao iniciar a revolta, os habitantes de São Luís mobilizaram-se para prender o Capitão - Mor Baltazar Fernandes. Depois , assaltaram os armazéns da Companhia, ocuparam o Colégio dos padres jesuítas e dali expulsaram do Maranhão 27 padres que encontraram.
Os rebelados organizaram uma Junta Geral de Governo. integrada por 6 membros,2 representando a Aristocracia ,2 ,o Povo e 2 ,o Clero. Ela extinguiu a Companhia Geral do Maranhão.
Para manter o poder, a revolta devia estender-se a todo o Maranhão. Este na época abrangia vasta região, desde o Ceará até o vale amazônico. Belém era a cidade mais importante do Maranhão depois de São Luís . A junta do governo para lá enviou emissários, mas eles não conseguiram a adesão à revolta da Câmara Municipal. Assim, a Capitania do Grão-Pará conservou-se fora da revolta, limitando-se esta, na prática, a São Luís.
Tomás Beckman foi enviado a Portugal com a missão de expor a situação e pedir que a metrópole confirmasse os atos do governo revolucionário.
O objetivo da revolta não era a independência. Mas a coroa resolveu agir com energia: Prendeu Tomás Beckman e confiou a Gomes Freire de Andrade o governo do Maranhão .Forneceu-lhe tropas para sufocar a revolta . Quando Gomes Freire desembarcou em São Luís, o entusiasmo popular pelo levante havia cessado. Gomes Freire ocupou São Luiz sem dificuldade.
Manuel Beckman, que fugira, denunciado por seu afilhado, foi preso e condenado à morte, com Jorge Sampaio. Ambos foram enforcados no dia 2 nov 1684.
Gomes Freire restaurou a Companhia e restituiu o colégio aos jesuítas. Voltou tudo como era antes .
Restabelecida a ordem, o governador Gomes Freire mudou de estratégia, propondo moderação. Sem tomar partido na luta entre jesuítas e senhores de engenho, escreveu a Portugal afirmando que o estanco das mercadorias era danoso para a colônia .Sugeriu concessões aos colonos. Com isso, o monopólio da Companhia foi extinto.
Sufocada a revolta, os vencedores trataram de aplicar as medidas preconizadas pelos vencidos, como forma de se consolidar no poder.
O Maranhão conhecera agitações semelhantes às que sacudiram o resto do Brasil no final do século XVII. Assim como no Rio de Janeiro e em São Paulo, o germe da revolta teve como causa a proibição do trabalho escravo dos índios liderada pelos franciscanos e depois pelos jesuitas .A isso se somou a forte oposição dos maranhenses aos monopólios da Companhia Geral do Estado do Maranhão.
2-A QUASE SECULAR GUERRA DOS PALMARES - PE/AL
Durante cerca de 94 anos , a região dos Palmares, em Alagoas e Pernambuco, foi alvo de investidas holandesas e portuguesas para ali destruir o grande Quilombo dos Palmares, uma confederação de mocambos .Estes eram os povoados dos escravos fugidos dos engenhos e fazendas, e ali se foram reunindo, prosperando e desfrutando a liberdade que a Escravidão lhes tolhia.
O Quilombo dos Palmares ocupou uma faixa de terra de cerca de 200 km, em grande parte montanhosa e coberta de espessa mata, paralela ao litoral e que se estendia do Cabo Santo Agostinho, em Pernambuco, até o rio São Francisco, em Alagoas.
Os Palmares eram atravessados por 9 rios que alimentavam uma mata fechada e por via de conseqüência a fertilidade do solo.
A mata e a montanha na Serra da Borborema tornavam o Quilombo dos Palmares de difícil acesso, proporcionando seguro abrigo a seu povo e, além, terreno ideal para a defesa à base de guerra de guerrilhas ,com tática indígena e africana, integradas, e que ali foi denominada Guerra do Mato.
O Quilombo dos Palmares cresceu em número que estatísticas imprecisas avaliam em 6.000 a 20.000 quilombolas, incluindo neste número mulatos, índios, ex-escravos e talvez até brancos com dívidas com a Justiça.
A concentração foi facilitada pela desintegração da economia nordestina e, em especial, por estarem as autoridades luso-brasileiras da área voltadas para o combate às invasões holandesas em Pernambuco e Alagoas (1630-54.)
Depois da expulsão dos holandeses, as administrações coloniais, de Pernambuco e Olinda não puderam controlar o Quilombo dos Palmares, nem com o auxílio dos senhores de engenho, também em sérias dificuldades, pois estes foram obrigados a contrair empréstimos com comerciantes do Recife – os Mascates – circunstância que daria origem em 1710 à Guerra dos Mascates, entre a Aristocracia canavieira falida, e os portugueses no Recife ,em, decorridos 16 anos da destruição do Quilombo dos Palmares.
Sem meios para reduzir o Quilombo dos Palmares ,ele se foi expandindo em aldeias diversas ou mocambos. Entre estes, destacaram-se: O Macaco, a capital dos Palmares e o maior (ficava na localidade de União dos Palmares - AL), o combativo e agressivo Subupira, e os Tabocas, Oranga, Zumbi, Amaro, Odenga, Aqualtume, Andalquituxe ,além de outros.
A ameaça representada por Palmares
Para o Conselho Ultramarino em Portugal e a economia do Nordeste com apoio no cultivo do açúcar, o Quilombo dos Palmares constituía-se em uma ameaça assim vista a nível estratégico.
Objetivos conflitantes
Mas, em realidade, o objetivo dos quilombolas era a defesa do Quilombo para continuarem a desfrutar um bem precioso e vital – a liberdade, no contexto de uma colônia onde vigorava a Escravidão, com apoio legal.
A estratégia de Portugal no combate aos Quilombos objetivava manter a Unidade do Brasil e a preservar o Estatuto da Escravidão.
E foi contra este Estatuto que surgiria e se imporia a liderança de Zumbi, conhecido, hoje, como o Mártir da Abolição da Escravatura do Brasil e Patrono Cívico da Negritude Brasileira, a semelhança de Tiradentes, Mártir da Independência e Patrono Cívico do Brasil.
O perímetro fortificado dos Palmares
Para defender Palmares e assegurar a liberdade de seus habitantes, o Quilombo foi progressivamente fortificado.
O perímetro fortificado do mocambo capital – o Macaco ,era constituído por uma dupla muralha de pau a pique, com vários baluartes e somente três portas de acesso fortificadas. Era protegido a distância por postos de observação ,sobre vias de acesso ao recinto .
O Quilombo era atravessado por 5 rios ricos em peixes. Em seu interior plantavam milho, feijão e mandioca e criavam galinhas e porcos.
Na retaguarda do mocambo – capital Macaco, erguia-se o palácio do chefe do Quilombo protegido por alta escarpa inacessível da Serra da Barriga e que servia de torre de vigilância longínqua do terreno ao redor. Este local é hoje a cidade de União dos Palmares.
O quilombo vivia da agricultura, caça e pesca e obtinha armas e munições com portugueses com quem mantinham negócios.
Estes interesses comerciais dos portugueses com eles contribuíam para as suas proteções e dos negócios dos traficantes que os alertavam de expedições punitivas contra eles, com bastante antecedência.
Em épocas de tensões ,por previsíveis ataques ao Quilombo, eram feitas chamadas à tarde.
Militarmente havia entre eles uma bem ordenada hierarquia militar.
A hierarquia decorria do seguinte sistema: os mocambos eram chefiados inicialmente por chefes com sangue nobre da África. Depois passou a ser exercido pelos mais capazes.
Um deles coube a chefia à princesa Aqualtume, a cujos descendentes estaria ligada a liderança o Quilombo ,depois da expulsão dos holandeses, para a qual , o Quilombo contribuíra indiretamente por fixar para o seu controle, expressivo contingente batavo.
Dois filhos de Aqualtume Ganga Zumba e Gana Zona, assumiram a liderança de dois dos mais expressivos mocambos.
O líder que sucederia Ganga Zumba, na liderança do Quilombo dos Palmares, seria o seu sobrinho Zumbi, neto da princesa Aqualtume como se verá . Isso em razão de uma disputa de liderança entre Ganga Zumba, que aceitou uma proposta da Administração Colonial que implicava prender e devolver a Pernambuco todos os quilombolas não nascidos em Palmares
Zumbi ,que se intitulou um rei, se opôs. Ganga Zumba seria envenenado e a luta continuaria até a destruição total de Palmares ,seguida mais tarde da prisão e execução sumária de Zumbi, como se verá.
As expedições contra o Quilombo dos Palmares
Em 1644, quando os luso-brasileiros preparavam a Insurreição Pernambucana contra o domínio holandês, estes atacaram duas vezes os Palmares.
A primeira expedição foi de Rodolfo Baro. Ao se aproximar dos Palmares as sentinelas do Quilombo deram o alarma geral. Os defensores rapidamente dificultaram a progressão da expedição holandesa derrubando árvores (abatizes) que detiveram a expedição nas portas de um mocambo. Ato contínuo, a expedição foi atacada em todas as direções. Vendo perigar toda a sua expedição, vítima das lanças e flechas, Baro ordenou a retirada.
A segunda expedição holandesa, preparada cuidadosamente., foi ao comando de João Blaer.
Esta expedição seria vítima de uma doutrina militar guerreira, desenvolvida pelos palmarinos. Era a Guerra do Mato, em realidade uma guerrilha, cuja estratégia era a seguinte.
Quando os holandeses atacavam, os defensores de Palmares recuavam. Quando os holandeses paravam, eram atacados em incursões relâmpagos. E esta estratégia perdurou por cerca de 3 meses, sem que os palmarinos oferecessem combate. O próprio tempo e o terreno hostil se encarregaram de desgastar Blaer e seus homens que retornaram a Recife, tendo só destruído um pequeno mocambo.
As duas expedições ocorridas às vésperas da Insurreição Pernambucana, convenceram os holandeses de que seria necessária uma grande expedição para destruir Palmares. E abandonaram a idéia mesmo em razão do início da Insurreição Pernambucana em 1645.
Nessa época, por ali havia passado por terra, de Salvador às matas do Pau Brasil, em Pernambuco, para preparar secretamente o Exército Patriota, o Sargento Maior (Major) Antônio Dias Cardoso o Mestre das Emboscadas e da Guerra Brasílica, que possuía semelhanças com a Guerra do Mato, usada por Palmares. Chefe que estudamos em As Batalhas dos Guararapes – Análise e descrição militar (Recife: UFPE, 1971. 2 v.) e hoje patrono do Batalhão de Forças Especiais do Exército .
Durante o período da Insurreição Pernambucana 1645-54, o Quilombo dos Palmares foi deixado de lado pelos holandeses e pelos luso-brasileiros.
Com o fim da guerra em 1654 , a concorrência do açúcar da Jamaica provocou uma decadência econômica do Nordeste canavieiro.
Assim ,o Quilombo comerciou internamente com as vilas de Serinhaem, Porto Calvo,
Penedo e Alagoas. O Quilombo fornecia produtos agropecuários, caça e pesca em troca de ferramentas, armas de fogo, pólvora e sal.
Até 1668, por cerca de 23 anos, continuou o Quilombo dos Palmares rechaçando fracas expedições sem o auxílio estatal de Pernambuco que estava impotente para uma ação de envergadura.
Em 1668, fazendeiros de Alagoas e Porto Calvo celebraram um Tratado de União Perpétua que objetivava ,com apoio em poderosa tropa a ser mobilizada:
- Usar os alimentos encontrados nos mocambos para alimentar a expedição.
- Que os palmarinos capturados que pertencessem aos moradores de Alagoas (Maceió) e Porto Calvo seriam devolvidos mediante indenização de 12.000 réis, a qual ficaria reduzida a metade se o palmarino se entregasse voluntariamente.
Em 1669 o governo de Pernambuco determinou que os escravos recapturados seriam vendidos para outros locais do Brasil.
Mas a procissão para os Palmares de escravos fugidos se acelerou e o Quilombo, em 1670, decorridos mais de 70 anos, atingiu o seu apogeu.
A luta oficial contra Palmares
Em 1671, teve início a luta oficial do Governo de Pernambuco contra Palmares. O Capitão André da Rocha e depois o Tenente Antônio Jácome Bezerra capturaram 200
quilombolas. O tenente Bezerra foi promovido a coronel.
Essa expedição oficial foi o início do fim do Quilombo!
Em 1676, forte de 600 homens, o agora Coronel Bezerra atacou Palmares. Destruiu vários mocambos e roças de subsistência.
Mas um vigoroso contra-ataque de Palmares cercou parte de sua tropa que foi toda massacrada. Essas perdas e deserções o obrigaram a retornar ao Recife.
Como vingança, uma expedição de Palmares atacou Porto Calvo e incendiou canaviais. O Capitão Mor de Porto Calvo atacou Palmares e destruiu um mocambo com 700 choupanas. E a guerra chegou a Palmares!
Em 1674 o Governo de Pernambuco enviou outra forte expedição composta de soldados, índios, mestiços e negros do Batalhão de Henrique Dias, que se destacara com seus soldados negros nas Batalhas dos Guararapes (vide op. cit.). Mas o Quilombo resistiu à investida com pesadas perdas.
O Governo estabelece uma base no Quilombo
Em 1675 o Governo de Pernambuco enviou outra expedição ao comando do Sargento Mor (major) Manuel Lopes que atacou um mocambo com mais de 2.000 moradias e deparou com uma capela onde era praticado o sincretismo religioso cristão e divindades africanas.
A estratégia da expedição foi conquistar e se instalar no mocambo, protegido por muralhas de pau a pique, depois de obrigar seus habitantes à retirada, seguida do incêndio do mocambo.
Decorridos 5 meses, os guerreiros do Quilombo se reorganizaram à distância de 25 léguas da base de Manuel Lopes. Este foi à procura do combate que se desenrolou violento. Manuel Lopes se manteve senhor de sua base de partida agora um arraial. Mas inquietado pela guerrilha palmarina e carente de munição de boca pediu reforços. Foi auxiliado por Fernão Carrilho experimentado em lutas contra quilombos fora de Palmares.
Fernão Carrilho reuniu líderes das vilas de Pernambuco e Alagoas interessados em destruir o Quilombo. Pretendeu organizar uma dispendiosa expedição com 200 arcos e 100 mosquetes e não conseguiu. Atacou sem sucesso o Quilombo dos Palmares e retornou ao Recife.
Atacados os mocambos dos líderes do Quilombo
Em 1677 Carrilho, voltou a atacar. O objetivo dessa vez foi o mocambo da velha princesa Aqualtume, avó de Zumbi. O segundo ataque foi contra o mocambo Subupira de Gana Zona, filho de Aqualtume e tio de Zumbi, cuja liderança já se impusera como grande guerreiro e esclarecido político.
Mas Carrilo encontrou Subupira destruído pelo fogo, pelos seus defensores, e ali ele estabeleceu a sua base militar e de partida para raids relâmpagos sobre outros mocambos.
No mocambo Amaro, eliminou em sangrento confronto grande quantidade de seus habitantes, entre eles Toculo, um filho de Ganga Zumba, de uma sua ligação poligâmica, prática ali comum. Foi preso o irmão de Canga Zumba – Gama Zona e mais 2 filhos deste, Zambi e Acaiene.
Um Arraial no coração dos Palmares
Carrilho fundou no coração de Palmares o arraial de Bom Jesus e a Cruz, convicto de que havia destruído o Quilombo dos Palmares.
O Governo de Pernambuco procurou integrar à Colônia Palmares os habitantes Palmares através de uma povoação portuguesa.
Canga Zumba, o rei do Quilombo, vendo nisto possibilidade de paz e progresso para seu povo, enviou, em 1678, seus emissários ao Recife. E lá aceitou a seguinte proposta de paz. Os governadores de Pernambuco propuseram estes termos para a Paz com o Quilombo dos Palmares:
1 – Que escolhessem o local para suas habitações e plantações.
2 – Que em 3 meses se recolhessem ao local que escolheram.
3 – Liberdade para os negros nascidos nos Palmares, conforme proposta do rei Ganga Zuma.
4 – Que fossem restituídos pelo Quilombo os escravos que haviam fugido dos engenhos e fazendas.
5 – Que poderiam comercializar e relacionar-se com os brancos.
6 – Que teriam o status de vassalos do Rei e obedeceriam às ordens do governador de Pernambuco.
7 – Que o rei negro Ganga Zuma seria nomeado mestre de campo( coronel) de toda a sua gente e seria o responsável pela ordem entre os negros.
E teve início um confronto de lideranças. Zumbi, o sobrinho do rei Ganga Zumba, não se conformou com a cláusula 4 do Tratado, embora nascido em Palmares. Queria liberdade geral e irrestrita para todos os palmarinos, .e não restrita !
Zumbi agora o rei dos Palmares
O confronto entre o agora Mestre de Campo Ganga Zuma e os ideais de Liberdade de Zumbi prosseguiu. O rei Ganga Zuma foi envenenado pela corrente de Zumbi , o qual , em conseqüência, assumiu a liderança como rei dos Palmares
E a guerra dos Palmares recomeçou cruel e sangrenta , com liderados de Zumbi privados de pólvora e armas de fogo.
Em 1680 o Capitão Mor André Dias atacou Palmares e só conseguiu destruir uma fortificação no outeiro da serra da Barriga.
Zumbi foi convidado a reintegrar-se e foi chamado até de Capitão Zumbi. Mas resistiu nas matas, usando a guerrilha – ou a Guerra do Mato.
O paulista Domingos Jorge Velho entra em cena.
O Governo de Pernambuco recorreu então ao bandeirante Domingos Jorge Velho, experimentado no combate à Guerra do Mato, no Piauí.
Em 1691, Domingos Jorge Velho, forte de mais de 1000 homens, atacou o mocambo capital dos Palmares – o Macaco e atual cidade de União dos Palmares-AL.
Mocambo que só capitularia depois de 3 anos de sitiado e 22 dias de sangrentos
combates. Conquista que provocou a queda pela manobra de todo o Quilombo de Palmares depois de quase um século em que tivera início .
O fim do Quilombo de Palmares
Zumbi liderou a resistência derradeira, em Macaco, contra Jorge Velho e Bernardo Vieira de Mello .Estes mandaram erigir uma paliçada protetora da trincheira de 600 metros de comprimento, frente à paliçada dupla do mocambo Macaco.
Zumbi liderou pessoalmente o ataque contra duas investidas de Jorge Velho e Vieira de Mello.
Os defensores usaram todos os recursos para a defesa, inclusive água fervente, obrigando os atacantes a um retraimento.
Zumbi convocou todos a morrerem pela liberdade. As cenas foram inusitadas. Atacantes foram pescados com ganchos de madeira e estrangulados pelos defensores mais fortes.
A paliçada atacante foi reforçada. E foram infrutíferos os ataques à fortaleza de Macaco ,nos dias 23 a 29 de janeiro de 1694, sem o auxílio de Artilharia.
Artilharia contra o Quilombo
Os atacantes receberam reforços do Recife e sitiaram os 3 lados da fortificação do quilombo Macaco, cujo 4º lado era um precipício inacessível.
E o Macaco foi sitiado por completo, mas dispunha de água e alimentação para resistir ao cerco – agora total.
Na madrugada de 6 de fevereiro de 1694, o mocambo Macaco foi despertado por tiros de canhão que abriram brechas na sua tripla paliçada. Por elas os atacantes penetraram, obrigando os líderes de Zumbi a tentarem escapar por saída junto ao precipício, no qual encontram a morte os que ali se jogaram ou foram jogados em número estimado de 200. Zumbi conseguiu romper o cerco ferido por 2 tiros.
E a luta a campo aberto, não era o forte dos Palmarinos. E ela se transformou num massacre cruel. Ao nascer do sol só se viam feridos e mortos. O corpo de Zumbi foi procurado, mas não encontrado, contrariamente ao que diz a lenda e afirmaram respeitados autores.
Em 20 de novembro de 1695, decorridos cerca de 22 meses, aos 40 anos, Zumbi ,com apoio na traição de um velhos palmarino, foi localizado, surpreendido, cercado e atacado pelo bandeirante André Furtado de Mendonça, e, com resistência à prisão,lutou até a morte, junto com 20 de seus guerreiros .
André Furtado mandou cortar a cabeça de Zumbi e a enviou ao Recife para ser espetada em praça pública, como exemplo,e mostrar que Zumbi, o herói que se tornara para os escravos, havia de fato morrido.
Hoje, projetado no tempo, a luta de Zumbi contra a escravidão , causa pela qual deu a vida, 20 de novembro, com justiça na voz da História do Brasil, consagrou-se como o Dia da Consciência Negra.
Este fato histórico gerou milhares e milhares de páginas de documentos, livros, artigos e debates.
A presente interpretação, síntese, objetiva evidenciar uma luta interna de grande intensidade e duração, aqui estudada do ponto de vista da História Militar Terrestre do Brasil.
Justo na área em grande parte coincidente com a do Quilombo dos Palmares seria palco quase século e meio mais tarde da Revolta dos Cabanos de Alagoas e Pernambuco, cuja motivação ,que talvez permanecesse no inconsciente coletivo da população da área, era a de restaurar o Reinado de D. Pedro I.
Revolta esta, cuja pacificação foi bem administrada pelas autoridades de Pernambuco e Alagoas , as quais, no campo militar ,usaram um cerco que foram apertando aos poucos e do qual resultou a pacificação da revolta com bem menos vítimas do que um confronto destruidor e mortífero para ambos os contendores .
Lição preciosa não aproveitada para ser usada na Guerra de Canudos ocorrida próximo cerca de 60 anos mais tarde e aproveitada pelo General Setembrino de Carvalho para pôr fim à Revolta do Contestado no Paraná e Santa Catarina em 1912-16 ,utilizando a estratégia do cerco a distância .
Francisco – O Zumbi dos Palmares 1655-1695
Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares (1678-1695), por um período de 17 anos, dos 23 aos 40 anos de idade até a sua morte, nasceu em 1655, no Quilombo dos Palmares.
Na primeira expedição que o Governo de Pernambuco enviou a Palmares, entre os prisioneiros feitos estava o menino Zumbi.
Ele foi entregue ao padre Antônio Melo, português, que o batizou, criou , alfabetizou e lhe deu o nome de Francisco.
Em 1670 ,aos 15 anos, Zumbi fugiu para o Quilombo dos Palmares, quando este atingiu o apogeu .E, em pouco, tornou-se um líder político e militar e assumiu a liderança militar do Quilombo, em razão de sua cultura e valor guerreiro.
No ano seguinte o Governo de Pernambuco iniciou o combate oficial a Palmares.
E Zumbi afirmou a sua liderança como guerreiro e político destacado no combate às expedições do Capitão André da Rocha e Tenente Antônio Jacome Bezerra.
Em 1676, aos 21 anos, participou do sangrenta e feroz contra - ataque à tropa do agora Coronel Bezerra, do que resultou um grande massacre da expedição, além das mortes e muitas deserções.
Zumbi participou do ataque vingativo a Porto Calvo e do incêndio de canaviais.
Em 1674 enfrentou a expedição chefiada pelo negro Mestre de Campo ad honorem Henrique Dias, herói das batalhas dos Guararapes.
Participou das lutas contra a expedição do Sargento Mor Manuel Lopes, que transformou um mocambo conquistado em base do governo no interior do Quilombo.
Em 1677, combateu as tropas de Fernão Carrilho que atacaram o mocambo de sua avó Aqualtume e o de seu tio Gana Zona ,a partir da base de Fernão Carrilho. Nessa ocasião, foi preso o seu tio Ganga Zona e seus primos -irmãos Zambi e Acaune e morto outro primo Toculo, filho de seu tio Ganga Zumba – o Rei do Quilombo.
Em 1778, aos 23 anos Zumbi liderou a revolta contra seu tio e rei do Quilombo, o Ganga Zamba, que terminou envenenado por haver aceito um fim da guerra com a liberdade restrita só aos nascidos no Quilombo.
Em conseqüência, Zumbi, aos 23 anos, assumiu a liderança de Palmares e continuou a lutar contra a Escravidão, ou a favor da liberdade dos palmarinos não nascidos no Quilombo.
Em 1691, aos 36 anos, liderou a reação a Domingos Jorge Velho que conseguira atingir o mocambo capital – o Macaco. Sua reação foi tão efetiva que obrigou a expedição retirar-se para Porto Calvo.
Zumbi –rei era o maior herói para o povo dos Palmares. Sua lenda atingiu as senzalas
de Pernambuco e Alagoas.
A presente interpretação buscou apoio nas seguintes fontes consultadas:
Fontes consultadas
ABRIL CULTURAL. Zumbi in: Grandes Personagens da nossa História. São
Paulo, 1972, p. 141-156.
BENTO, Cláudio Moreira Bento .As batalhas dos Guararapes ,análise descrição
militar.Recife:UFPE,1971.2v.
(____) O Exercito e a Abolição ,A Defesa Nacional .n 738,jul/ago,1988.p.7/37.
BLOCH EDITORES. História do Brasil. Rio de Janeiro, 1976.
ENNES, Ernesto. As guerras dos Palmares. São Paulo: Cia Ed. Nacional. 1938
(Português, funcionário do Arq. Hist. Colonial de Lisboa .
FREITAS, Mario Martins de. Reino negro de Palmares. Rio de Janeiro: BIBLIEX,
1954 (Trata-se de oficial Veterano da FEB, já falecido).
PEDROSA, José Fernando Maia. Quilombos e negritude a serviço da ideologia. A
Defesa Nacional, 1988.
3 - A REBELIÃO BAIANA DE 1711
Antecedentes
Com o ataque francês de 1710 ao Rio de Janeiro ,Lisboa decidiu fortalecer o sistema defensivo da Colônia, aumentando o patrulhamento naval de nossa águas territoriais. Para cobrir a despesa , decretou taxa de 10% sobre as mercadorias importadas. Antes já havia um taxa de três a seis cruzados sobre cada escravo adquirido na África, e havia aumentado o sal de 480 para 720 réis o alqueire .(cerca de 14 litros).
O novo Governador - Geral do Brasil, Pedro de Vasconcelos de Sousa, ao anunciar na Bahia, em outubro de 1711, as novas taxas , o povo reunido na praça pública rebelou-se. Os líderes : João de Figueiredo da Costa - Vulgo Maneta -, negociante em Salvador, e o juiz do povo D. Lourenço de Almada.
Oficiais e praças da guarnição de Salvador aderiram à revolta. Cartazes afixados pela cidade afirmavam que à população baiana prestaria homenagem a um outro rei, se os tributos fossem cobrados.
O Povo invadiu as casas de Manuel Dias Figueiras e seus sócios, monopolistas da importação de sal. Fizeram um quebra- quebra atirando tudo na rua e distribuindo móveis e mercadorias a quem quer que os desejasse.
Os tumultos cessaram quando o arcebispo D. Sebastião Monteiro de Vide se apresentou paramentado à frente de um séquito de religiosos irmãos do Sacramento da Fé, em procissão, levando o Santíssimo pelas ruas da cidade.
A revolta alcançou seu objetivo. O governador prometeu que não seriam cobrados as taxas , nem o sal majorado.
Em setembro de 1711, quando o Rio de Janeiro sofreu novo ataque corsário dos franceses, a população baiana passou a temer uma investida dos corsários contra Salvador. Medo procedente e fundamentado, pois Duguay -Trouin declarou que assaltaria a Bahia numa oportunidade favorável.
A revolta
Encorajados com vitória no motim de 1710, do Maneta, os baianos voltaram às ruas, .exigiram do governador enviar expedição ao Rio de Janeiro para ajudar a expulsar os corsários . O Governador, alegando falta de recursos, não tomou uma providência. Foi então que uma nova revolta popular eclodiu em dezembro, o chamado Motim dos Patriotas, liderado por Domingos da Costa Guimarães, Domingos Gomes e Luís Chafet.
Diante da fúria popular, o governador mais uma vez recuou: mandou aparelhar as naus que se encontravam no porto para ir em socorro das cariocas e prometeu fazer uma coleta entre os homens ricos do Recôncavo para custear a expedição. A essa altura, porém, os franceses já haviam deixado o Rio de Janeiro, e a paz voltou a Salvador.
Pedro de Vasconcelos aproveitou a oportunidade para punir exemplarmente os cabeças do levante.
Eles foram açoitados em praça pública, Domingos da Costa Guimarães, Domingos Gomes e Luís Chafet de pagaram pesadas multas , entre 3 000 cruzados a oitocentos mil réis .E foram condenados ao degredo na África .Domingos da Costa e Domingos Gomes em caráter perpétuo, o Luiz Chafet por 10 anos.
4- GUERRA DOS EMBOABAS 1708-1709
A Guerra entre Paulistas e Emboabas (1708-1709). O fator econômico que norteou a ambição dos descobridores do Brasil foi o ouro. Em sua busca , lançaram-se portugueses e espanhóis.
Encontrado em 1559 e 1598, não longe do mar, fixou os portugueses, inicialmente, no litoral.
No século seguinte, à procura do metal, expedições lançaram-se sertão a dentro, desbravando e conhecendo o interior, apresando índios que, transformados em escravos, eram vendidos para os engenhos de açúcar.
Após anos de dedicação a este tipo de comércio, construindo povoações interioranas, encontraram os sertanistas de S. Paulo, entre 1681 e 1695, o ambicionado ouro. A área da descoberta conheceu-se como região das Minas. Nela se fixaram, erigindo povoações e colonizando-a.
Alguns se dedicaram à criação de gado, outros à agricultura. A maioria tornou-se mineradora. A região prosperava, da mesma forma os seus descobridores, e também a terra de origem -- S. Paulo de Piratininga.
Os descendentes consideravam-se donos daquela região, descoberta pelos ancestrais. Orgulhavam-se disto. A notícia de prosperidade dos paulistas espalhou-se dentro e fora do Brasil.
O governo iniciou a taxação sobre o ouro retirado --a cobrança do quinto. Forasteiros ambiciosos, lusitanos, pernambucanos e baianos, passaram a fixar-se no local.
Descobriram novas minas, ocupavam lavras abandonadas por paulistas, que haviam retornado a S. Paulo, ou se dedicavam ao comércio ou ao monopólio da criação de gado, explorando, preços exorbitantes, os mineradores. A vinda desses elementos trouxe aumento demográfico e surto de prosperidade. Tornou-se, no entanto, ambiente de luxúria e vício, onde campeavam o roubo, furto e homicídio. Era uma terra sem lei.
Os mais poderosos, possuidores de índios escravos, julgavam-se no direito de impor a justiça, exercendo-a sobre os menos favorecidos. Por vezes, até a pena de morte aplicava-se àqueles que infringissem as regras estabelecidas pelo consenso geral.
A tudo isso assistiam os paulistas que, julgando-se proprietários da terra, não toleravam a competição dos intrusos, a quem chamavam emboabas ( do indígena M’Buab = avas com penas nos pés ), por usarem eles, particularmente, portugueses, calças compridas com polainas.
Os invasores cada vez mais prosperavam, seja por chegarem ao local com maiores recursos do que os paulistas, pois possuíam crédito dos conterrâneos radicados na orla marítima, seja por receberem favores do governo: como doação de terras.
Tudo isso fazia aumentar o ódio dos paulistas contra os que consideravam usurpadores.
Rompimento das hostilidades
Ao governador-geral, D. Fernando Mascarenhas, pediram-se diversas providências em vista da anarquia reinante e, principalmente, contra os forasteiros portugueses, que monopolizavam a carne, vendendo-a a preços astronômicos.
Limitou-se o governador a nomear capitães-mores para os distritos, ameaçados pela desordem.
Pequenos incidentes complicavam a situação. Diante do rumo dos acontecimentos, os paulistas fortificaram-se em Sabará. Preparava-se a explosão. Faltava apenas o estopim para atear fogo àquele barril de pólvora.
Eis que, em fins de 1707, correra, entre os forasteiros de Caeté, o aterrador boato de que os bandeirantes, reunidos no rio das Velhas, combinaram exterminar de uma vez todos os seus antagonistas.
Pretendiam realizar a façanha, nas vilas e arraiais da região das Minas, quando todos estivessem na igreja, ouvindo a missa, em certa manhã de janeiro de 1708 .
Cientes da ameaça , os emboabas, em grande número, reuniram-se em torno da casa de Manuel Nunes Viana, rico comerciante, monopolizador de carne, aclamando-o "Governador de Minas", para pôr termo às violências dos paulistas, e obrigá-los a viver obedientes às leis. Proclamado ditador, Viana estabeleceu a sede de seu governo em Caeté.
A luta pela posse de Sabará
Devido à situação reinante ali, os paulistas deixaram a localidade. Concentraram-se em Sabará. E Viana dirigiu-se para lá, liderando um destacamento de emboabas .
Os bandeirantes entrincheiraram-se no interior do arraial. Viana ocupou as elevações dominantes e procurou incendiar as casas, levando os sitiados a grande confusão. A seguir, os índios e mamelucos, munidos de arco e flecha, investiram contra a povoação, derrotando os paulistas ..
Com esta vitória, caiu pela manobra toda a resistência paulista no vale do rio da Velhas.
O combate de Cachoeira do Campo
Os fugitivos de Sabará, reunidos a outros paulistas, organizaram a sua defesa no excelente ponto estratégico- o arraial de Cachoeira do Campo. Ali, na desigual proporção de 1 paulista para 10 emboabas , sustentaram, valentemente, o ataque emboaba .
O combate estava indeciso, mas Viana, ferido na ação , determinou a retirada. Dias depois, recebendo reforços, vindos de Ouro Preto, atacou novamente Cachoeira do Campo ..Aproveitando-se de uma brecha na defesa paulista as tropas emboabas nela penetraram.
Na praça central, travou-se violento combate corpo – a - corpo. Nele , os paulistas levaram vantagem, no combate com arma branca. Viana, novamente ferido, retirou-se . Passou o comando a frei Francisco de Menezes. Esse frade, com muita astúcia , mandou cessar fogo e tocar repouso. Anoitecia. Os paulistas, cansados , aproveitaram da trégua para descansar e matar a fome. Valendo-se desse descuido, na calada da noite, o Frei Francisco , à frente de emboabas e a cavalo, avançou contra o reduto paulista, que, tomado de surpresa, não resistiu e rendeu-se .
O massacre dos paulistas no Capão da Traição
Foi o mais cruel ato de traição e covardia ocorrido na época. A meia distância de S. Paulo e em sua direção, caminhavam os fugitivos do rio das Mortes, engrossados pelos ex - prisioneiros de Sabará e Cachoeira do Campo.
Animados por Valentim Pedroso, Pedro Pais de Barros e outros bravos, resolveram investir contra os emboabas , no arraial da Ponta do Morro. Vendo-se sitiados, os emboabas pediram socorro a Viana .Este enviou, em socorro , uma força emboaba ao comando de Bento do Amaral Coutinho, conhecido pelo temperamento rude e sanguinário.
Os paulistas, ao saberem que Coutinho comandava os reforços, levantaram o cerco e e continuaram a retirada para S. Paulo. Chegando a Ponta do Morro e não encontrando inimigos, Bento do Amaral Coutinho determinou que o Capitão Gonçalo Corço, comandando um destacamento, fosse em perseguição dos retirantes.
Próximo de Ponta do Morro, numa campina, margeada por um rio, tendo ao centro grande capão de mato, Gonçalo Corço encontrou pequeno grupo . Logo regressou para avisar seu comandante da situação. Amaral Coutinho cerrou sobre a campina, cercou-a e determinou abertura de fogo. Os paulistas resistiram bravamente, causando diversas baixas na tropa emboaba, irritando Amaral Coutinho . Após um dia e uma noite de intensa fuzilaria , falta de víveres e munição, os paulistas dispunham-se à rendição, desde que lhes fossem poupadas as vidas. Com a promessa de Coutinho de que "nenhum mal faria aos paulistas que espontaneamente se entregassem", eles deixaram o interior do capão, depondo as armas. Terminada a triste rendição condicional, com os paulistas agora desarmados. Logo que os viu desarmados, Amaral Coutinho , auxiliado pelos escravos, assassinou friamente a tiros os paulistas rendidos , apesar dos protestos de seus oficiais. Ficou o campo juncado de cadáveres de homens valentes que confiaram na palavra e no juramento de um pérfido.
Episódio semelhante ocorreria em Rio Negro ,Bagé, em 28 non 1893, em que tropas do governo, rendidas sob garantia de vida, tiveram cerca de 300 civis que constituíam a Cavalaria do Governo , à disposição do Exército, degolada por mercenários uruguaios e correntinos , episódio que resgatamos em "O Massacre federalista do Rio Negro" , em Bagé, em 28 nov 1893. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.v.154, n o 378,jan/mar 1993,p.55/88.Liderava a Cavalaria Civil o Cel GN Manoel Pedroso , descendente de migrantes de São Paulo da praça da Sé ,por volta de 1800.
A tentativa de vingança do massacre do Capão da Traição
A 1º abr 1709, animados pelas mulheres, os paulistas reuniram no Paço da Câmara, em S. Paulo, cerca de 1300 homens. Decidiram vingar-se dos emboabas pelo massacre do Capão da Traição.
Organizaram-se em companhias de Infantarias e piquetes de Cavalaria, com seus comandantes, subalternos e graduados.
Foi aclamado chefe da expedição Amador Bueno da Veiga, juiz de órfãos, que, para chefiá-la, conseguiu licença da Câmar4a de S. Paulo.
A expedição deixou , em marcha lenta, o pátio do Colégio, em direção às Minas, na tarde de 24 ago 1709.
Apesar das dificuldades das comunicações, e das vias de transportes na época, o aparato dos preparativos e a lentidão da marcha fizeram com que os emboabas também se aprontassem para a defesa. Aconteceu o que os paulistas não esperavam. Eles encontraram a região do rio das Mortes, bem defendida, escudada até em um forte.
Os atacantes sitiaram a posição emboaba e levaram vantagem, inicial .Foi então que os chefes paulistas começaram a se desentender e se negaram apoio mútuo.
Alguns homens do grupo Amador Bueno falavam em retirar-se para S. Paulo, apoiados por outros que estavam sob as ordens de Luís Pedroso de Barros .Este sitiava a fortificação. Pedroso, vendo o desânimo abater-se sobre seus comandados, animou-os a manter o combate, pois os emboabas estavam fracos, pelas muitas baixas sofridas. Mas Pedroso manteve- o cerco.
Depois de uma noite de violenta luta, quando os emboabas pensavam em rendição, saíram, pela manhã, em campo aberto, para oferecer o último combate.
Ficaram surpresos por não encontrarem os paulistas . Durante a noite, eles retiraram-se, levantando o cerco, com a informação de que grande reforço se dirigia de Ouro Preto para o local, a fim de socorrer os emboabas .
Terminara a Guerra dos Emboabas. Houve, em S. Paulo, tentativas de organizar-se nova expedição, não concretizada, devido às medidas estabelecidas pelo governador-geral, para pacificar a região.
Resultado dessa Guerra entre paulistas e emboabas: a separação de Minas Gerais de São Paulo. Foi nomeado governador da nova capitania Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, chefe militar e administrador experimentado.
Conclusões
A Guerra entre paulistas e emboabas constitui um dos capítulos do surto nativista, ou da série de protestos de brasileiros , contra o domínio português.
Revelou combatividade, de parte a parte, na disputa por aquilo que julgavam direito.
Quanto aos paulistas, a guerra representou uma manifestação contra a usurpação da posse de terras por eles descobertas.
O sentimento de ódio ao domínio dos portugueses ficou evidente nessa Guerra, e foi-se agravando pelo insucesso decorrente.
Na primeira fase da luta, ressaltaram o heroísmo, a valentia, e o combate corpo –a -corpo.
Na segunda, a organização de um verdadeiro exército, com companhias de Infantaria, piquetes de Cavalaria e uma hierarquia bem estruturada, caracterizou a atuação dos paulistas. Por outro lado, da parte dos emboabas registrou a construção de uma fortificação para aumentar seu poder de defesa .
5-A GUERRA DOS MASCATES - (1710-1711)
Olinda x Recife
Antecedentes
A colonização de Pernambuco teve início melhor que a das outra capitanias. Duarte Coelho, fidalgo, veio com a família, acompanhado de nobres empobrecidos, incentivando a agricultura, explorando a plantação da
cana-de-açúcar, deu grande prosperidade à capitania.
No século seguinte, Olinda era a mais importante vila do Brasil.
Recife, era praia de pescadores e porto de Olinda. Havia, em Olinda , a administração pública, solares, casas assobradadas de alvenaria, residências dos nobres da terra, dos ricos senhores de engenho, igrejas e mosteiros.
No Recife, casebres de pescadores, normalmente portugueses sedentários que não se dedicavam ao cultivo do solo.
A ocupação holandesa arrasou e incendiou Olinda, levando o progresso para Recife.
Das lutas contra o invasor , ficaram dois exemplos no espírito dos pernambucanos .:
- que eram povo forte, pronto para lutar contra qualquer potência aguerrida;
- que, sendo a Holanda república, havia também forma de governo sem rei, capaz de tornar poderosa uma nação.
Terminada a guerra, voltaram ao trabalho e a reedificarão de sua capital.
Enquanto isso, os portugueses, dedicados mais ao comércio do que à agricultura, começaram estabelecer-se na povoação de Recife, onde abriram casas de negócios.
Do Senado da Câmara de Olinda, elevada à cidade, excluíram-se os recifenses, a pretexto de que mercadores não podiam ser eleitos. O orgulho dos olindenses pelos títulos nobiliárquicos não tinha limites.
Com desprezo, tratavam os comerciantes de Recife, apelidando-os de Mascates, em vista das profissões e da origem humilde com que iniciaram os seus negócios. Por outro lado, os desmedidos gastos para a manutenção do estado de nobreza faziam com que muitos habitantes da capital caíssem debaixo da usura dos recifenses: empréstimos a juros altos.
Os olindenses produziam o açúcar, negociado para o exterior, através do comércio dominado em Recife. Eram estes que supriam de mantimentos os engenhos e compravam daqueles toda a produção. Em pouco tempo, tornaram-se os Mascates grandes capitalistas, que somente almejavam a participação na direção da coisa pública, o que lhes era negado pelos nobres de Olinda.
Odiaram-se olindenses nobres devedores e recifenses mercadores credores .
Os recifenses aos governantes pediam intervenção junto ao rei, para elevar Recife a vila, para se libertarem da tutela administrativa de Olinda.
Empossou-se, a 9 jun 1707, como governador da capitania, Sebastião de Castro Caldas, que, pouco a pouco, se distanciou de Olinda, aproximando-se dos Mascates. Em conseqüência de nova petição, apoiada pelo novo governador, os recifenses obtiveram Carta-Régia, 19 nov 1709, a instituição da vila do Recife, independente de Olinda.
Sebastião de Castro Caldas mandou preparar, às escondidas, as pedras para o levantamento do pelourinho e, efetivamente, o fez, a 15 fev 1710, instalando a vila de Recife .
A nobreza olindense foi desafiada !
A declaração de guerra
Sabendo os moradores de Olinda que o governador costumava ir a pé à igreja de N.S. da Penha, prepararam-lhe uma emboscada. Ele foi alvejado a tiros, e ferindo.
Estourou o movimento rebelde. Logo foram presos os principais suspeitos. Levantaram-se em armas os conjurados no interior.
O Governador enviou tropas para combatê-los. Algumas foram derrotadas pelos rebeldes, e outras confraternizaram com eles.
Os revolucionários vieram do interior sobre Recife . Recebendo adesões. Acamparam em Afogados, à margem direita do Capibaribe, às portas de Recife .
Impotente para a resistir , o Governador Castro Caldas fugiu para a Bahia. O exército revolucionário transpôs o Capibaribe e marchou em direção a praça principal de Recife . Arriaram a bandeira que tremulava no pelourinho, arrasaram-no, libertaram os presos das cadeias e das fortificações. Destituíram dos cargos todos os portugueses e queimaram a lista dos eleitos para a Câmara de Recife .
A República Pernambucana
O sonho pioneiro de República no Brasil: Vitoriosos em Recife, os revoltosos voltaram para Olinda. Após o terceiro dia da fuga do governador, combinaram os rebeldes uma assembléia no Senado da Câmara de Olinda, para tratarem dos assuntos relacionados com a direção do governo, acéfalo, no momento.
Durante a discussão, surgiram dois partidos:
Um moderado, pretendia o retorno à legalidade e que, segundo a tradição, se entregasse o governo, provisoriamente, às mãos do bispo. O outro grupo, constituído pelos senhores da terra, manifestou-se pela instituição de uma república como a da Holanda ou de Veneza.
O líder deste grupo, Bernardo Vieira de Melo, expôs a situação extrema a que se havia chegado, fazendo sentir a todos que o maior perigo seria recuar. Propunha a transformação de Pernambuco em república, "pois, só assim ficariam livres dos riscos por que acabavam de passar".
Discutiu-se longamente a proposta .e, não obstante a assembléia se ter manifestado simpática à idéia, preponderou o espírito conciliador dos mais prudentes. Ficou decidida a entrega do governo ao bispo D. Manuel Álvares da Costa, desde que concedesse anistia ampla, em nome do rei.
O governo do bispo D. Manoel Alves da Costa
O bispo assumiu o governo, em 15 nov 1710 . 0 seu primeiro ato foi a anistia geral aos revoltosos.
Para acalmar os espíritos e desfazer, a animosidade reinante, e crescente, O bispo , governador provisório, ora estava em Recife ora e em Olinda e Recife. Balançava como um pêndulo de relógio . ora favorável aos olindenses, ora aos recifenses .
Bernardo Vieira de Melo, ante a possibilidade de que o novo governador, esperado a qualquer momento de Portugal , não confirmasse a anistia geral, concedida pelo bispo, dirigiu-se para Recife, acompanhado do filho, do capitão André Vieira de Melo e de grande comitiva .
Deliberam que, se o novo governador não confirmasse a anistia, seria proclama a república. Para tal , Vieira de Melo, concentrou ,em seu sítio Ipojuca, as forças que mandara vir de Palmares. E foi recrutando gente, e conspirando com vários chefes sertanejos, preparando-se assim para reação no momento oportuno.
Os recifenses, porém, não ficaram impassíveis. Sentindo que o bispo conciliador era dominado por Vieira de Melo e sua gente, trataram de se mobilizar para uma contra-revolta.
Conseguiram acumular por cotas um fundo de 70 mil cruzados. À frente da tropa improvisada , colocaram-se diversos oficiais da antiga tropa. Era o prenúncio de novo choque.
A mobilização dos Mascates para a reação
Uma discussão entre os soldados do regimento de Recife e a gente de Vieira de Melo foi o pretexto para o início da luta. Presos os do Regimento de Recife, presos por ordem do bispo governador; os oficiais do regimento intercederam no palácio pela libertação dos mesmos .
Disse-lhes, porém, o bispo que não poderia deixar de puní-los, em vista da pressão de Vieira de Melo. Sentindo-se injustiçados, os soldados saíram do Convento do Carmo .Dali dirigiram-se para o Regimento aos gritos de "Viva o Rei! Abaixo os traidores!" .E tiveram a adesão do Regimento , à frente da qual se puseram alguns oficiais. Os recifenses , associando-se à manifestação, reuniram-se à força. O bispo, assustado, refugiou-se no Colégio dos Jesuítas. O povo cercou a casa de Vieira de Melo, que foi preso pelo Ouvidor Geral e recolhido preso à cadeia.
Intimou-se o bispo a retornar para palácio do governo. Foi guardado por 180 mascates.Ia começar a Guerra aberta entre as duas facções.
Os republicanos levantaram, mais uma vez, Pernambuco , incluindo a população de Olinda, e os moderados da nobreza, bem como todo o interior.
Conquistando o bispo governador a confiança dos revoltosos republicanos, em face das cartas circulares expedidas aos capitães-mores e às Câmaras da capitania, ao exortá-los a manter a tranqüilidade e informá-los dos acontecimentos em Recife, em que culpava Vieira de Melo, decidiu ir para Olinda, a pretexto de lá apaziguar os ânimos.
O comandante João da Mota pediu que ficasse em Recife., mas não cedeu. E foi recebido em Olinda com grandes manifestações pelo povo. Pouco depois submeteu-se aos desejos dos olindenses.
Por não acatarem as determinações do bispo, os olindenses prepararam-se para sitiar Recife. O bispo D. Manuel Álvares da Costa renunciou ao governo, entregando-o à Câmara de Olinda, ao Ouvidor- Geral e ao Mestre –de – Campo(coronel) Cristóvão de Mendonça Arriais. E a Guerra estourou , "uma guerra mais fértil em crimes, do que em ações dignas de se comemorarem."
Durava cerca de 3 meses o cerco de Recife, quando surgiu uma frota de Portugal, trazendo o novo governador, Félix José Machado de Mendonça que tomou posse, sem oposição alguma, em 9 out 1711.
Decorridos alguns dias de governo, percebeu Olinda a parcialidade de Machado de Mendonça para com os negociantes do Recife, seus patrícios.
Sem considerar a anistia concedida pelo bispo, e com a aprovacão real, foram sendo perseguidos os chefes da nobreza, que mais se destacaram no movimento de 1710.
Muitos foram presos. Vieira de Melo, refugiado no arraial de Palmares, resolveu entregar-se. Os chefes da reação, contra os revoltosos de Olinda, eram recebidos agora, em Recife, com grandes festas e aclamados como heróis.
Foi novamente instituído o pelourinho, constituída a nova Câmara e celebrada a instalação da vila: a vitória definitiva dos mascates ou dos recifenses.
Só 4 anos mais tarde, com a chegada de outro governador, D. Lourenço de Almeida, é que foi restabelecida a tranqüilidade pública.
Mas persistiria pelos tempos a fora rivalidade entre pernambucanos e portugueses (marinheiros) , como ficaram conhecidos os filhos de Portugal.
.A Guerra dos Mascates foi um Movimento Nativista, precursor da nossa Independência e República . Originada pela discórdia entre duas localidades, Olinda e Recife. A primeira, habitada por fazendeiros, senhores de Engenho, nascidos no Brasil, orgulhosos descendentes da Nobreza, que valentemente lutara contra o Domínio Holandês .E Recife , habitada por negociantes portugueses, enriquecidos à do Comércio do açúcar produzido pelos primeiros.
A vitória final a favor dos mascates aumentou mais a rivalidade entre naturais do Brasil e filhos de Portugal, culminando com a independência proclamada por D. Pedro I em 1822 ..Eis o primeiro pronunciamento de emancipação realizado no Brasil, onde se manifestou a idéia do estabelecimento de um regime de governo sem rei - um regime republicano.
Dos patriotas pernambucanos da época, herdamos o sentimento de soberania, de liberdade, de luta contra o domínio estrangeiro. Sentimentos que estiveram presentes no período monárquico 1808-89, como se poderá concluir, e abrandados na República, de cujo sonho foram pioneiros no Brasil .
6 - A REVOLTA DE VILA RICA EM 1721
Antecedentes
Criou-se a capitania de S. Paulo e Minas Gerais, em 1709, como conseqüência da Guerra dos Emboabas. O novo governador, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, tomou posse em 18 de junho de 1710, na Vila de S. Paulo, após corresponder-se com os principais moradores.
A presença da nova autoridade encerrava o conflito entre paulistas e emboabas. Começou outra ordem administrativa. Antônio de Albuquerque, nos primeiros dias de governo, proibiu o porte de armas por pessoas não qualificadas. Organizou um regimento de Infantaria com 3 companhias, comandado pelo capitão Manuel Carvalho da Silva Bueno. Solicitou à metrópole a elevação de S. Paulo de vila a cidade e sede do bispado, e concretizada a sua solicitação pela Carta - Régia, 14 jul 1711.
Deixando S. Paulo, sob o governo interino do Capitão-mor Domingos da Silva Bueno, partiu o governador para Minas .Ali , regulou a cobrança dos quintos de ouro, fundou vilas, regularizou a posse imobiliária com documentos de propriedade, designou oficiais para manter a ordem.
O seu sucessor , D. Brás Baltazar da Silveira, assumiu o governo, em S. Paulo, 31 ago 1713 e, no fim do ano, já estava em Minas Gerais. Ali, resolveu o problema da cobrança dos quintos, evitando um descontentamento geral. Era experimentado, veterano de guerra, e sabia não possuir força suficiente para impor a sua autoridade na região do ouro.
A 1a Tropa de Linha em Minas Gerais – Os Dragões :D. Pedro de Almeida, conde de Assumar, nomeado por D. João V para governador, assumiu o cargo em S. Paulo, em 4 set 1717 .Em dezembro, estava em Vila Rica. Tinha 31 anos de idade. Como seu antecessor, era veterano de guerra. Inteligente e enérgico, realizou governo ativo.
Sentindo-se impotente, pediu à metrópole fosse enviado para as Minas Gerais um corpo de tropa de Linha para ali ficar sob seu comando. Uma companhia de Dragões, de 41 homens, comandados pelo Capitão José Rodrigues de Oliveira, procedente de Lisboa, chegou a Minas. Ainda que reduzida em efetivo, em 1719, restabeleceu a ordem no rio das Velhas, a fim de garantir o fornecimento de gado. Em Pitangui, tomou de assalto trincheira guarnecida por elementos que promoviam desordens, em desrespeito as determinações do Governador.
A revolta de Vila Rica em 1721
No início de 1721, as capitanias de São Paulo passaram a ter cada qual o seu governador, ao invés de um comum e decorrência da Guerra dos Emboabas .
Nesse mesmo ano, Minas foi sacudida por fatos graves ligados ao ouro. Foram questões ligadas a cobranças de impostos; descaminho e circulação de ouro em pó etc .
Os emboabas, orgulhosos de seu poder consolidado depois da Guerra dos Emboabas, passaram a ver seus interesses pelo governo de D.Pedro de Almeida, conde de Assumar .
O suplício de Felipe dos Santos
Em 28 jun 1721, quando o Governador se encontrava em Ribeirão do Carmo , agitadores mascarados fizeram desordens e quebra-quebras, com isso querendo forçar o governador a fechar as casas de fundição de ouro .Decorridos 4 dias, forçaram o conde de Assumar ,sob a ameaças de armas, a prometer atender suas reinvidicações e a perdoar previamente os motins que promoveram .
Fora uma simulação do Conde de Assumar para sentir as reais intenções dos amotinados e a participação de cada um na revolta.
Decorridos cerca de 12 dias de sua enganosa promessa, na noite de 14 jul 1721, conseguiu esmagar e neutralizar a revolta .Mandou incendiar o arraial do Ouro Podre .Conseguiu a condenação, com o Ouvidor, de Felipe dos Santos, o mais impetuoso líder do motim em Vila Rica .Esse foi condenado à morte por crime de Lesa-Majestade .Foi enforcado e esquartejado como exemplo .
7- A GUERRA GUARANÍTICA NO RIO GRANDE DO SUL 1754-56
Antecedentes
Em 1750, treze anos decorridos da fundação do Rio, Portugal e Espanha celebraram o Tratado de Madrid de 1750. Por ele ficaram estabelecidos os limites entre Espanha e Portugal no território da 3ª RM. Portugal abriria mão da Colônia do Sacramento, que fundara há 70 anos, e a Espanha abriria mão dos Sete Povos das Missões, espanhol, e também com 70 anos de influência jesuítica.
Para Portugal tomar posse dos Sete Povos, era condição que os índios missioneiros e os jesuítas abandonassem a região e fossem para a margem direita do rio Uruguai.
Para dar cumprimento ao tratado, Espanha e Portugal deviam proceder à demarcação.
Portugal organizou no Rio de Janeiro o Exército Demarcador ao comando do Gen Gomes Freire de Andrada , governador de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro, ao qual se subordinava a Comandância Militar do Rio Grande de São Pedro. Gomes Freire foi nomeado Comissário de Portugal na Demarcação do Tratado no Sul.
Para substituir os índios nos Sete Povos, foi prevista a imigração de casais jovens açorianos, com uma arma por casal para, em número de 60 casais, ocuparem cada um dos Sete Povos e promoverem o seu desenvolvimento e defesa.
Mas, no curso da Demarcação, os índios, sob a liderança de jesuítas, resistiram à evacuação dos Sete Povos. E aconteceu a Guerra Guaranítica 1752-56 dos Exércitos Demarcadores de Portugal e Espanha contra os índios liderados pelos jesuítas.
O Exército Demarcador de Portugal no Rio Grande
Em 1750 Portugal e Espanha celebraram o justo Tratado de Madri, pelo qual Portugal cederia a Espanha a Colônia do Sacramento no Uruguai e defronte a Buenos Aires em troca dos Sete Povos das Missões e mais extensas faixas do atual Rio Grande do Sul .
Para cumprir o Tratado no Sul Portugal encarregou o Ten Gen Gomes Freire de Andrade ,governador do Rio de Janeiro e com apoio de um Exército Demarcador que viria a enfrentar junto com um Exército Demarcador de Espanha os índios missioneiros liderados por jesuítas por haverem se recusado a abandonar os Sete Povos e entregá-los a Portugal para serem povoados por casais de açorianos enviado por Portugal para tal missão.
O Exército Demarcador de Portugal foi organizado com tropas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande, num total de 1633, muito expressivo para a época. Para sua constituição, o Rio Grande do Sul atual contribuiu com 491 homens ou cerca de 30% do Exército Demarcador. Efetivo representado pelo Regimento dos Dragões do Rio Grande de São Pedro(Infantaria a cavalo).
A tropa estranha ao atual território do Rio Grande do Sul era do Rio de Janeiro – Regimento de Artilharia(189 homens); de Infantaria Velho(atual Sampaio – 204 homens); de Infantaria Novo(104 homens), ou seja, 590 cariocas ou cerca de 36%.
De São Paulo: A Infantaria de Santos(104 homens).
Para o apoio ao movimento e como vaqueanos,(guias) duas companhias de aventureiros paulistas e de Laguna(160 homens), comandadas pelos oficiais de Dragões Cap. Francisco Pinto Bandeira e Ten Antônio Pinto Carneiro(de Minas).
Para o apoio logístico e serviços gerais, foram destinados 266 homens.
Este Exército trouxe a seguinte Artilharia do Rio de Janeiro ao comando do célebre Cel Fernandes Pinto Alpoym, autor então de livros sobre o assunto: 7(sete) peças de bronze e 3 (três) peças de ferro , tradicionadas por bois. Ela foi a primeira Artilharia de Campanha que atuou no Brasil, ao que se tem conhecimento.
Como o meio de transporte, este Exército dispôs:
Este Exército Demarcador realizou 3 campanhas que estudamos com ampla iconografia em História da 3 RM 1808-189 e Antecedentes (Porto Alegre:3a RM,1995):
1ª Campanha: Em 7 Abr. 1752, o Exército Demarcador concentrou-se em Rio Grande. Marchou pelo litoral em 1 set 1752 até Castilhos Grande, onde se encontrou com o Exército Demarcador da Espanha. Em 1º Out foi colocado o 1º marco divisório em Castilhos. Em Jan 1753, o comissário espanhol Andonaegui de Valdelírios retirou-se para Montevidéu. Gomes Freire marchou para a Colônia do Sacramento a fim de preparar a sua entrega. Na altura de Santa Tecla, em Bagé atual, os índios missioneiros, sob a liderança de Sepé Tiarajú, impediram os trabalhos de demarcação.
O trabalho foi interrompido, e as partidas demarcadoras se dirigiram à Colônia do Sacramento e Montevidéu.
2º Campanha: Gomes Freire e Andonaegui, em Mar 1754, conferenciaram na ilha Martins Vaz. Decidiram evacuar os Sete Povos pela força das armas. Andonaegui remontou o Uruguai até Japeju, onde ficou detido.
Gomes Freire retornou com o Exército, por terra e por água, até Rio Grande e daí da mesma forma até Porto Alegre. Ali mandou fabricar canoas para remontar o Jacuí até o Passo São Lourenço, a montante da Cachoeira do Sul atual. Dali pretendia, por terra, invadir os Sete Povos. Em Jun 1754 ele atingiu a atual Rio Pardo, onde a vanguarda dos Dragões do Rio Grande em Rio Pardo já haviam erigido uma fortificação t chamada Jesus –Maria -José.
O forte foi atacado pelos índios, em 29 Abr 1754, ao comando de Sepé Tiaraju, apoiado em 4(quatro pequenas peças de Artilharia(pedreiros). O forte respondeu ao ataque dispersando os atacantes e matando 6 índios. Sepé, com vistas a conquistar o forte, deixou-se prender com 53 índios. Pretendia no interior da fortificação rebelar-se e tomá-la dos Dragões. Foram desarmados e obrigados a devolver 70 cavalos do forte que apresaram. Sepé prometeu entregá-los.
Deixou o forte sob guarda, a qual terminou por iludir e fugir espetacularmente, abandonando seus liderados à própria sorte. Deles, 53 foram enviados presos para o Rio Grande. No meio da Lagoa dos Patos, eles se rebelaram e dominaram a embarcação, após matarem 3 Dragões, ferirem 2 e aprisionarem os restantes no porão, junto com suas armas. Os Dragões reagiram e fizeram fogo, matando 13 índios. Os restantes, desesperados, jogaram-se n’água, morrendo 25 afogados. Sobreviveram só 15, que foram levados ao Rio Grande.
De Rio Pardo, o Exército Demarcador rumou por terra até o passo São Lourenço, tendo construído, com o concurso dos aventureiros paulistas, sobre o rio Pardinho, a primeira ponte flutuante acreditamos no Brasil , conforme registramos em artigo "Travessia militar de brechas e cursos d’água no Brasil". Defesa Nacional (nº 722, 1985, Nov/Dez).
O Exército Demarcador acampou no passo do São Lourenço, de 7 Set – 18 Nov 1754, por dois meses e 11 dias. Ali foi colhido por violenta enchente, registrada em 4 cartas panorâmicas existentes no Arquivo Histórico do Exército, as quais foram pintadas pelo Quartel Mestre General(encarregado do Apoio Logístico) da Expedição Cel Engenheiro Miguel Ângelo Blasco e seu ajudante Jerônimo Mattos.
Estudamos Ângelo Blasco em Estrangeiros e descendentes na História Militar do RGS .( Porto Alegre:IEL,1975).
Impedido de prosseguir além do passo São Lourenço e mesmo em razão do Comissário de Espanha ter ficado detido em Japejú, Gomes Freire celebrou um armistício com os índios e jesuítas e retornou ao Rio Grande.
Deixou implantado o forte Jesus – Maria - José do Rio Pardo, que se celebrizou como a Tranqueira Invicta e como a 2ª base militar terrestre, no Rio Grande.
3ª Campanha: O Exército Demarcador partiu do Rio Grande e dirigiu-se ao Forte São Gonçalo, que então foi construído no corte do rio Piratini. Dali partiu em Dez 1755. Atingiu os Sete Povos em maio 1756, após 4 meses de marcha. Em 16 Jan 1756, operara junção com o Exército da Espanha no campo das Mercês, assim chamado pelas condecorações e graças que ambos os exércitos concederam a seus integrantes.
A partir de Santa Tecla, os índios liderados por Sepé Tiaraju levaram a efeito uma Guerra de guerrilhas , a mãe da Guerra à gaúcha
Queimaram as pastagens na retirada, mataram cavalos cansados para não serem usados pelos demarcadores e trucidaram patrulhas e homens isolados que ousaram deixar o grosso dos exércitos.
E o que foi essa Guerra no dia-a-dia ficou no Diário do Cap Jacinto Rodrigues da Cunha (RIHGB, v. 10, 1853)
Em 7 fev. 1756, foi morto o chefe índio Sepé Tiaraju, na Sanga da Bica, na cidade de São Gabriel atual, quando montava um ataque noturno. Foi lanceado por um peão português nas costas e morto pelo governador de Montevidéu com um tiro de pistola.
Em 10 fev. 1756, travou-se o combate de Caiboaté, onde o Exército Missioneiro foi cercado e dizimado pelas cavalarias dos dois exércitos em cerca de uma hora. Foram mortos 1.400 índios e feitos prisioneiros 127.
Estudou essa tragédia o Gen Ptolomeu Assis Brasil em A Batalha de Caiboaté (Palegre:Liv. Globo, 1935).
Em 10 Mai 1756, travou-se, próximo a São Miguel, o último combate, o de Churieby, onde os índios se apoiaram em trincheiras e peças de artilharia de taquaruçu (bambu) retovadas de couro. Ângelo Blasco imortalizou esta cena em planta existente no Arquivo Histórico do Exército.
Após penetrar no Sete Povos, o Exército Demarcador lá permaneceu por 10 meses. Nesse período, estima-se que a miscigenação dos soldados com índias missioneiras que tiveram seus maridos mortos em Caiboaté tenha sido intensa .É um fato a pesquisar .
Depois o Exército retirou-se para Rio Pardo, onde ficou por 18 meses. Finalmente, retornou ao Rio, após 7 longos anos de permanência no Rio Grande do Sul .
Gomes Freire deixou plantados no território gaúcho mais os fortes de Jesus –Maria -José do Rio Pardo e o de São Gonçalo, no rio Piratini, e ainda o de Santo Amaro, além de haver reconhecido e devassado o interior gaúcho.
Os açorianos que se destinavam aos Sete Povos concentraram-se em torno do Rio Grande e ao longo do Jacuí, entre Porto Alegre e Rio Pardo.
Através das serras dos Tapes e Herval, território dos atuais municípios de Pelotas, Pedro Osório, Canguçu e Encruzilhada, foi aberto e explorado um caminho de articulação das duas bases militares do Rio Grande e Rio Pardo, cujas áreas de jurisdição eram separadas pelo rio Camaquã, curso d’água que passou a separar as fronteiras do Rio Grande e do Rio Pardo, a primeira divisão militar do território da 3ª RM.
O Regimento dos Dragões do Rio Grande, após 20 anos em Rio Grande, teve transferida sua sede para Rio Pardo, sob a denominação de Dragões do Rio Grande ,mas popularmente e por tradição chamados Dragões do Rio Pardo, e com assinalados serviços à História do Brasil, no Rio Grande do Sul.
Essa unidade foi amplamente estudada por Fernando Luiz Osório(neto do General Osório), em Sangue e Alma do Rio Grande. (Palegre: Ed. Globo, 1937), e pelo Cel Deoclécio de Paranhos Antunes, em Dragões do Rio Pardo(Rio de Janeiro : BIBLIEX, 1954), e ainda pelo Cel Jonathas do Rego Monteiro.
Esteve à frente da Comandância Militar do Rio Grande, durante a Guerra Guaranítica, de 28 jun 1752-17 Jan 1761, o Ten Cel Paschoal de Azevedo, cuja ação foi ofuscada com a presença no Rio Grande do Ten Gen Gomes Freire, governador do Rio de Janeiro, com jurisdição sobre o Rio Grande.
8- AS INCONFIDÊNCIAS MINEIRA E CARIOCA
Antecedentes
O Brasil despontou, a partir de 1710, aos olhos da Europa , como o mais rico país produtor de Ouro , em Minas Gerais ,Cuiabá e Goiás .
Para Werner Sombart, o desenvolvimento capitalista e industrial da Europa, no fim do século XVIII, não teria sido possível, sem a maciça entrada do ouro brasileiro, na Europa ..
. Lisboa, que estava em ruínas, por um terremoto, foi reconstruída .Ele fez florescer indústria inglesa e o comércio da Europa .
Durante o Ciclo do Ouro no Brasil , o luxo e a ostentação foi possível em pequenas cidades mineiras lideradas por Vila Rica( atual Ouro Preto).Cidades que surgiram da noite para o dia, e cresceram em ritmo acelerado.
Com o Ciclo do Ouro e a corrida para ele em Minas, logo ela passou a contar com um governador - defensor dos direitos da coroa, auxiliado por tropa de Linha , funcionários de toda ordem e muitos fiscais. As barreiras ou registros foram guarnecidos para previnir o descaminha do ouro que passou a ser obrigatoriamente fundido, e os viajantes, fiscalizados . E os crime e transgressões punidos com castigos severos .
Ao lado de abundante legislação, foi regulamentada pesada tributação, que atingiu índices de verdadeira insensibilidade social: começando pelo quinto do ouro, alfinetes de rainha e outros menores, vinham a seguir a clausura, que trancava as regiões mineradoras, inclusive as diamantíferas; os registros que bloqueavam entradas e saídas e a taxação, onerando, pesadamente, as mercadorias indispensáveis à vida e ao trabalho das populações mineradoras; proibições de toda espécie, impedindo as atividades de advogados, ourives e da imprensa; sugestões essas agravadas pelo ato de D. Maria I, que proibiu as manufaturas e mandou arrasar as existentes.
As difíceis condições de vida, a que estavam submetidas as populações dos núcleos mineradores, pioraram no século XVIII. A produção das minas caiu.. Vila Rica virou "a Vila Pobre". Mas Portugal ,100 arrobas ,no mínimo . Com a queda da produção, o imposto deixou de ser pago .E a dívida dos contribuintes foi num crescendo .
Em conseqüência, uma grande preocupação para o povo das minas. A cobrança à força da dívida, significando ruína, seqüestro, talvez prisão por insolvência. Ou seja, a derrama.
Na América do Norte, em 1776, houve a independência das colônias inglesas, que passaram a chamar-se Estados Unidos da América.
Lá se declarou sagrada a vida humana, a liberdade de pensamento; que todos os homens são livres, iguais e dignos de participar do governo que, quando não garantisse as liberdades dos povo, a este assistia o direito de depô-lo.
Essas idéias difundiram-se pelo mundo, inclusive no Brasil, e fizeram parte do ideal da Conjuração Mineira.
As liberdades públicas – o sonho dos conjurados :Os ideais de liberdade no Brasil foram trazidos, por estudantes do Brasil em universidades européias. José Joaquim de Maia, Domingos Vidal Barbosa, José Alves Maciel, José Mariano Leal e outros.
Vila Rica era a sede do governo de Minas .Possuía como de guarnição – um Regimento de Dragões .Era a sede de órgãos da Justiça e de altos funcionários .Sua sociedade era rica .Seus filhos, em muitos casos, estudavam na Europa. Em Vila Rica, os sentimentos nativistas eram potencializados pela ganância e prepotência da Coroa, Foi em Vila Rica que germinou o protesto contra a opressão, e a exploração a que era submetido o povo.
Nomes como o do poeta Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, também poeta e advogado; Alvarenga Peixoto, poeta, proprietário de minas e coronel do Regimento de Cavalaria do Rio Verde, apareceram ao lado de nomes de padres, Oliveira Rolim e Toledo Melo, e militares profissionais, Tenente Coronel de Cavalaria Francisco de Paula Freire de Andrade e o Alferes Joaquim da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes. Todos identificados com os ideais de liberdade e de justiça..
Durante longo tempo, permaneceu quase desconhecida a Conjuração Carioca e Mineira de 1789. O Império como seria natural não teve interesse em evocar a tentativa republicana mineira .
. A divulgação do conteúdo do famoso saco verde da Secretária do Império, constitui o primeiro passo para a reivindicação que se impunha.
Continha uma coleção de documentos originais das duas devassas a que se procedeu, em Vila Rica e no Rio de Janeiro.
Dos trinta e quatro indiciados na Conjuração Carioca e Mineira , oito foram julgados inocentes. Constituíram o grupo ativo, aqueles que tomaram a peito o levante: Alferes Joaquim José da Silva Xavier, Tenente-coronel Freire de Andrade, padres Carlos de Toledo e Oliveira Rolim, Coronel Inácio José de Alvarenga, Tenente-coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, Sargento - mor ( Major Luiz Vaz de Toledo Piza e Tenente-coronel Domingos de Abreu Vieira.
O dia da Derrama, o sinal para o levante .Marcou-se o dia para o levante: o da derrama.
Um traidor denunciou a trama ao governador, Visconde de Barbacena. Avisado, ele suspendeu a derrama – sinal combinado para o inicio da revolta, medida que serviria de pretexto à deflagração da revolta. Ao mesmo tempo, Barbacena ordenou as prisões dos conjurados. Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro, onde andava em propaganda; 32 foram presos em Vila Rica, e na maior parte membros das principais famílias de Vila Rica .Foram transferidos para o Rio, onde foram encarcerados. Uns na cadeia local carioca e outros na Fortaleza da Ilha das Cobras.
Em 1790, condenaram-se 11 à pena de morte .capital. Mais tarde., comutou-se a pena de morte pela de degredo, exceção de Tiradentes.Tiradentes, enforcado no Rio de Janeiro .
Tiradentes –o patrono cívico do Brasil :Joaquim José da Silva Xavier, alferes da Cavalaria das Minas Gerais, tornou-se a figura maior da Conjuração Carioca e Mineira, por seu entusiasmo e amor à causa.
Tiradentes e outros conjurados militares constituem mais uma prova de identificação da força terrestre brasileira, com as aspirações da Nacionalidade.
Se fosse argumentado que o acaso poderia explicar a sua presença ao movimento libertário, citaríamos a repetição do fenômeno social na Inconfidência Baiana, 1798, e Revolução Nativista de 1817. A constância da participação de militares de terra dos movimentos precursores da nossa Independência, se, de um lado, decorre da própria natureza da força terrestre no período colonial – o povo em armas – de outro, nos mostra que seu seguimento regular ou profissional, o exército de então, já não era uma classe ou uma casta, perseguindo objetivos estranhos aos interesses da Nacionalidade nascente.
Como se verá a Revolução Farroupilha de cujo seio emergiu a Republica, Rio Grandense – a única experiência republicana efetiva antes de 15 nov 1889 contou com a participação decisiva dos comandantes das unidades do Exército no Rio Grande do Sul e de integrantes das mesmas, fato que tem sido sonegado.
O primeiro general farroupilha proclamado foi João Manoel Lima e Silva, fluminense e comandante do Batalhão de Infantaria , destacado em São Borja .O Coronel José Mariano de Matos , carioca e comandante do Batalhão de Artilharia no Rio Pardo ,foi Ministro da Guerra, Vice- Presidente e Presidente interino da República .Os dois Bento , o Gonçalves e Manoel Ribeiro eram coronéis de Estado –Maior do Exército e ex-comandantes de unidades de Cavalaria do Exército em Jaguarão e Alegrete .E assim por diante .
Tiradentes recebeu do Brasil , a mais alta distinção: a de ser o Patrono Cívico da Nacionalidade.
AS LUTAS INTERNAS NO PERÍODO MONÁRQUICO
E A AÇÃO DE CAXIAS
As lutas internas do período monárquico, que durou 81 anos ( 1808-89) ,ou seja, de 1808, transferência da sede do Reino de Portugal para o Brasil com a chegada do Príncipe Regente D .João e da Rainha D. Maria I, até 15 de novembro de 1889, data da Proclamação da República pelo Marechal de Campo Manoel Deodoro da Fonseca, o qual passou à História como o Proclamador da Republica Brasileira.
Neste quase século de Monarquia no Brasil, regime a que muito se deve a preservação da Unidade Nacional, ocorreram as seguintes lutas internas, que foram conjuradas e assim preservada a Unidade do Brasil. Lutas que ameaçaram transformar o Brasil quando dava seus primeiros passos como nação independente, numa colcha de retalhos e em especial as que eclodiram no período regencial.
Estas foram as principais lutas internas no período monárquico ocorridas no Brasil, afora motins e pequenas revoltas locais de pequena intensidade, que Ernani Donato focaliza em seu Dicionário de batalhas brasileiras (S.Paulo,IBRASA,1996.2ed.)
No Brasil Reino Unido de Portugal e Algarve sob a égide de D. João VI
- A Revolução Pernambucana 1817.
No reinado de D.Pedro II.
- Confederação do Equador no Nordeste ,em 1824.
- Revolta de unidades de mercenários no atual Palácio Duque de
Caxias - 1828
Na Regência 1831-1840.
- Setembrada e Novembrada 1831 em Pernambuco.
- Revolta da Brigada de Artilharia da Marinha na Ilha das Cobras 1831
- Revolta do 26 o BI no Rio ,em 12 jul 1831.
- Revolta da Guarda da Polícia Militar da Corte em 13/14 jul 1831.
- Abrilada 1832 ,em Pernambuco
- Revolta do Major Miguel Frias no Campo de Santana 3 abr 1832
- Revolta de parte tropas da Corte lideradas pelo barão de Bülow
17 abr 1832.
- Revolta dos federalistas ou dos Guanais na Bahia 1832-33
- Motim do 10 o BC em Salvador 1832.
- Insurreição Restauradora do Crato - CE 1832
- Revolta Restauradora de Santo Antão -PE 1832.
- A Cabanagem no Pará 1831-1840.
- A Revolta do Cabanos em Alagoas e Pernambuco 1832-1835.
- Levante Restaurador de Ouro Preto-MG 1833
- Levante do Forte do Mar em Salvador-BA-1833.
- Rusgas de Cuiabá 1834.
- Revolta de Escravos Nagô em Salvador em 24 jan 1835
- Carneiradas em Pernambuco 1834-35.
- A Revolução Farroupilha em Santa Catarina e Rio Grande do Sul
1835-1840
- A Sabinada na Bahia 1837-1838.
- A Balaiada no Maranhão-1838-1840.
- Anselmada da Franca em Franca -SP em 27 out 1838
- Revolta de Manoel Congo em Pati do Alferes -RJ 1838
- Levante de Sobral -CE em 14 dez 1840
No reinado de D.Pedro II.
- A Revolução Liberal de São Paulo 1842.
- A Revolução Liberal de Minas Gerais 1842.
- A Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul 1840-
1845(continuação)
- Revolta dos Lisos em Alagoas 1844.
- Motins do Fecha- Fecha em Recife ,set 1844 e nov 1848.
- Motins do Mata - Mata em dez 1847 e jun 1848, em Salvador.
- Insurreição Praieira em Pernambuco 1848-50
- Levante dos Marimbondos de Pau d’Alho -Pernambuco-1852.
- Motim da Carne s/ osso, da farinha s/ caroço e do toucinho do
grosso-BA-1858
- Revolta dos Muckers do Ferrabraz-São Leopoldo -RS 1874.
- Arruaças do Quebra Quilos na Paraíba, Pernambuco e Alagoas
1874-75.
- O Motim do vintém no Rio de Janeiro ,em 4 jan 1880.
Nota :As fontes serão indicadas no local em que for tratada a luta interna e não ao final para ,que o leitor ou pesquisador faça os aprofundamentos desejáveis.
9-A REVOLUÇÃO NATIVISTA PERNAMBUCANA 1817.
Generalidades
As lutas internas fratricidas ocorridas no Brasil tem o sabor de tragédias gregas, nas quais as partes em confronto estão com a razão e a verdade. E parece que o Duque de Caxias entendeu isso logo em sua ação pacificadora da Família Brasileira, dividida por idéias elevadas, mas conflitantes e até inoportunas como a República .
Segundo Lourenço Lacombe, ex diretor do Museu Imperial de Petrópolis, o título de Pacificador de Caxias foi iniciativa de D.Pedro II em uma reunião oficial em que os convidados, após cumprimentarem o Imperador, este apontava para Caxias, próximo, e dizia ao interlocutor- "Cumprimente o nosso Pacificador !"
Caxias levou em sua campanha pacificadora o sábio conselho de Simon Bolívar :
"Nas lutas internas, impõe-se a generosidade para com o adversário, senão a violência cresce em escala geométrica."
Os ideais republicanos irradiados da França, dos Estados Unidos, da Inconfidência Mineira e Carioca, e mesmo com origem na Guerra dos Mascates, em Olinda, encontraram acolhida em Pernambuco em 1817.
A República encontrou guarida entre os padres do Seminário de Olinda, entre oficiais brasileiros do Regimento de Artilharia do Recife, situado em local, no passado, defronte à Santa Casa e , em razão da fortíssima rivalidade que possuíam com os oficiais portugueses e ,na Maçonaria.
Na Maçonaria, lideranças militares, clericais e civis republicanas acertavam os ponteiros ,como o maçon Cap Domingos Teotônio que será o líder da Revolução e mais 60 padres e 10 frades todos maçons, liderados pelo padre João Ribeiro Pessoa, alma da revolução e mestre junto com o padre Miguelinho do Convento de Olinda, incluindo-se o Frei Caneca que atuará como secretário de um corpo militar revolucionário e irá liderar 7 anos mais tarde outra revolução republicana - a Confederação do Equador.
Na Europa, a Maçonaria havia congregado secretamente homens crentes em Deus de diversas confissões religiosas para combater o Absolutismo e implantar os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade no mundo.
Como se defrontavam dois regimes ,o Monárquico e o Republicano, ambos desejavam, independente de República ou Monarquia, serem os povos dirigidos por uma Constituição ou Carta Magna.
Desse modo, passaram a incidir na América do Sul duas correntes maçônicas:
A Maçonaria inglesa ou azul, defensora da Monarquia Constitucional, e a Maçonaria francesa ou vermelha, favoráel a República Constitucional. E nos subterrâneos da política brasileira iriam degladiar-se essas duas correntes, gerando em grande parte as lutas internas na Monarquia.
A Monarquia Constitucional era vista na época como capaz de manter a unidade da América do Sul portuguesa e da espanhola, que davam seus primeiros passos como independentes. O General San Martim era favorável à Monarquia Constitucional, e Simon Bolívar à Republica Constitucional. Num encontro entre ambos os libertadores, em reunião maçônica, San Martim teria sido voto vencido e se retirou para a Europa sem dar explicações ,deixando o campo livre para Bolívar que não conseguiu ,como é público e notório, manter a sonhada unidade da América do Sul espanhola.
O nosso Duque de Caxias pertenceu a Maçonaria inglesa ou azul favorável à Monarquia Constitucional ,por julgar a mais indicada para a época .O general Osório, por seu turno ,ligado à maçonaria francesa ou vermelha desde tenente em Rio Grande (cidade).Ali recebeu simbolicamente uma armadura para seu peito guerreiro. Mas achava que não havia chegado o tempo da República e que o trono significava ainda e por muito tempo a Unidade Nacional.
A compreensão dessa idéia de Osório pela linha maçônica vermelha que caracterizou a Revolução Farroupilha ,irá somar-se às forças de que Caxias dispôs para pacificar a Família Brasileira, em 1 o março de 1845 ,em D.Pedrito atual ,conforme abordamos na obra Contribuição à História de D. Pedrito . D.Pedrito: Prefeitura,2001.e em O Exército farrapo e os seus chefes .Rio de Janeiro: BIBLIEx,1992.2v
A presença de Caxias na maçonaria e estudada por ;
PROBER,Kurt. O Duque de Caxias, sua vida na Maçonaria.
Rio ,1972(Sesquicentenário da Maçonaria no Brasil).
O desenvolvimento da revolução pernambucana de 1817
Pernambuco dispunha na época de duas unidades do que hoje seria o Exército. Uma de Infantaria e a outra de Artilharia .Nesta teve início a revolução. Possuía além 18 corpos de Milícias ,sendo 11 no interior e oito fortes litorâneos.
O estopim da revolução foi um incidente numa festa comemorativa da expulsão dos holandeses em que um alferes do Regimento dos Henriques surrou um português que havia injuriado os brasileiros. A oficialidade portuguesa dominante achando tratar-se de um incidente grave envolvendo aspectos políticos e sociais, tratou de punir os militares brasileiros envolvidos.
O comandante do Corpo de Artilharia ,um brigadeiro português, ao tentar efetuar a prisão dos três oficias brasileiros de sua unidade , inclusive o líder cap Teotônio, foi assassinado pelo cap José de Barros Lima, "O Leão Coroado", que o atravessou com sua espada, auxiliado por um familiar. Espada que se encontra no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, onde se encontram também valiosas fontes sobre esta tentativa republicana.
O cap Teotônio começou a agir com vistas a implantar um governo republicano em Pernambuco. O Governador procurou proteção no Forte do Brum, onde capitulou sem resistir ,em 7 de mar 1817 ,e embarcou para o Rio.
Foi criado um Governo Provisório representativo das diversas categorias sociais. A militar foi representada pelo cap Domingos Teotônio ; a eclesiástica pelo padre João Ribeiro Pessoa, e a comercial, por outro líder maçon - Domingos José Martins.
Foram melhorados os vencimentos e promoções na tropa depois de alguns protestos contra privilégios .Os ideais da Revolução Francesa se alastraram pelo Nordeste e conquistaram a Paraíba em 14 março, e o o Rio Grande do Norte em 29 de março.
Foram enviados emissários ao Ceará, à Bahia e aos Estados Unidos .Este com dinheiro para comprar armas e munições e contratar oficiais franceses e obter apoio daquela República.
O padre Roma, enviado à Bahia, foi preso e fuzilado defronte ao seu filho, o cap de Artilharia Francisco Abreu e Lima, que lá se encontrava preso no forte São Pedro " por assuada, resistência e ferimento" ao envolver-se em incidente com oficiais portugueses, quando servia na unidade de Artilharia em Recife.O General Abreu e Lima é hoje denominação histórica de Comapanhia de Engenharia em São Bento do Una -PE
Conseguiu dali evadir-se em 18 fev 1818 e fugir para os Estados Unidos onde se uniria a Simon Bolívar e participaria ,com destaque ,da Libertação da América conforme nosso artigo -"O brasileiro que foi general de Simon Bolívar. "A Defesa Nacional .725,1986,que resgata sua vida militar como oficial de Artilharia egresso da Academia Real Militar que freqüentou de 1812-16.
.Conhecimentos que colocou a serviço da libertação da América, como chefe de Estado -Maior de lideranças libertadoras da Venezuela, Colômbia, Equador e Peru, razão por que muito justamente figura em monumento na Venezuela - Aos libertadores da América.
Em 3 abr 1817, os comandantes de unidades revolucionárias foram apresentados à bandeira e tope nacional da nova república, que é a atual bandeira de Pernambuco, e juraram solenemente defendê-los até a morte.
A reação do governo não se fez esperar. Em 23 abr uma esquadra do governo com 4 barcos bloqueou o porto do Recife e foram lançadas proclamações anti - evolucionárias em Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. Neste ,o povo ,aos brados de Viva El Rei!, varou à espada um oficial revolucionário ,numa espécie de resposta ao ato do Leão Coroado. Na Paraíba a contra- revolução foi vitoriosa.
O Conde de Arcos lançou tropas da Bahia pelo litoral e teve início a debacle revolucionária. Em 13 e 14 de mai no Engenho do Trapiche os revolucionários em grande inferioridade numérica se retiraram e abandonaram sua Artilharia em presença das forças do Conde de Arcos que mais tarde seria proprietário do edifício onde funcionou por muitos anos o Senado e que atualmente abriga no Rio uma Faculdade de Direito.
No Recife, os revolucionários se renderam à força naval .Recife foi abandonada e ocupada pela força naval .
E teve início a repressão dura e violenta contra revolucionários, simpatizantes e suspeitos. Violência que teve como agentes inclusive ex-revolucionários .Violência - resposta à revolução iniciada com uma violência inominável nos meios castrenses , a de ferir de morte a Hierarquia e a Disciplina. Ou seja, a violência gerando a violência em escala geométrica, segundo Bolívar.
Os ideais dessa revolução nativista seriam concretizados 72 anos mais tarde com a Proclamação da República, pelo alagoano mal Manoel Deodoro da Fonseca e consolidada por outro alagoano ,o mal Floriano Peixoto .Essa ao custo das sangrentas e cruéis Guerra Civil 1893-95 na Região Sul e Mato Grosso e Revolta na Armada 1893-94 com reflexos em todo o pais. Ocasião em que foi organizada em Pernambuco a Esquadra Legal que teve papel decisivo na vitória do Governo no domínio da revolta na Armada na Baia de Guanabara e o refluxo federalista do Paraná para o Sul.
Caso a Revolução Pernambucana tivesse vencido ,como teria sido o destino do Brasil ,cuja Unidade e Integridade haviam sido preservadas pela Insurreição Pernambucana 1640-1654 que expulsou os holandeses do Brasil .Evento que na interpretação do grande pernambucanp Gylberto Freire:
"Em Guararapes escreveu-se a sangue o destino do Brasil! O de ser um só e não dois ou tres hostis entre si".
E convidamos o leitor a meditar e fazer uma simulação futorológica !
A repressão violenta e outras questões pendentes como o conflito nativistas x portugueses levarão Pernambuco a fazer, 7 anos mais tarde ,mais uma tentativa republicana - A Confederação do Equador 1824, além de outras revoltas de iintensidades variadas, assunto que está a merecer um estudo integrando todas.
Hoje, sabe-se que, no contexto dessa revolução, foi planejado libertar Napoleão da ilha Santa Helena e trazê-lo para o Brasil para colocar-se à frente da Revolução .É o que aborda Donatelo Grieco em Napoleão e o Brasil, do editorial 1995 da BIBLIEx.
Caxias, com 13 anos, ultimava seus estudos preparatórios no Seminário Real São Joaquim, na atual rua Marechal Floriano, que viria ali a se transformar no Colégio Pedro II. Decorridos pouco mais de 2 meses ,em 25 ago 1817, jurou a Bandeira do Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarve e iniciava sua brilhante carreira de soldado.
10 - A CONFEDERAÇÃO DO EQUADOR 1824
Generalidades
A permanência da Família Real no Brasil de 1808-1821 criou condições infra-estruturais para a Independência do Brasil. Portugal fora constitucionalizado em função da Revolução do Porto de 1820 e D.João VI obrigado a retornar a Portugal ,tendo antes jurado a Constituição. Deixou em seu lugar como Regente do Brasil seu filho D. Pedro e com o seguinte alerta que a tradição consagrou: "Coloca a coroa do Brasil na tua cabeça antes que outro aventureiro o faça."
Pressões sobre o Príncipe obrigando-o a retornar a Lisboa ,inclusive à força e, recusando-se a tal ,com respaldo de forças militares do Brasil ,o que passou à História como o Dia do Fico. Fato que o levou a proclamar a Independência do Brasil em 7 de set 1822 e ser aclamado c,erca de um mês mais tarde , Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil.
Era o final de uma luta surda de bastidores entre a maçonaria azul ou inglesa liderada por José B o n i f á c i o de Andrada , favorável à Monarquia
Constitucional, e a maçonaria vermelha ou francesa liderada por Gonçalves Ledo e favorável a República Constitucional.
Houve um confronto entre as duas que resultou na prisão na Fortaleza de Santa Cruz de muitos maçons da linha republicana e inclusive o alagoano padre Antônio José Caldas .Este depois de fugir da fortaleza foi ter na Argentina onde colocou-se a serviço de Alvear e com ele invadiu o Brasil em 1827 ,na qualidade de capelão. Em 11 set 1836, proclamação da República Rio - Grandense ele encontrava-se próximo ,em Rio Branco atual no Uruguai, defronte a Jaguarão, influenciando nos acontecimentos ,com ligações com outros maçons na localidades próximas como Jaguarão que foi a primeira a reconhecer a República Rio - Grandense conforme abordamos em artigo: .Alagoas e a República do Brasil. Revista do Museu do Açucar.Recife, n o 5,1970.
Face as ameaças internas e externas sobre o nascente império, D.Pedro I melhorou o Exército. Em fala do trono destacou:
"O Exército esta pronto em armamento, pessoal, em disciplina e em breve chegará ao auge."
Criou um avançado e modelar para a época Depósito de Recrutas entre outras medidas de fortalecimento.
Enquanto Portugal não reconhecesse a nossa Independência, o que só ocorreu em 5 ago 1825, impunha-se esta mobilização ,pois as três divisões de Portugal que guarneciam o Rio, a Cisplatina e a Bahia em pouco foram obrigadas a retornar, não sem parte dos seus quadros haverem aderido ao Brasil.
Isto foi a oportunidade para oficiais brasileiros ascenderem hierarquicamente no Exército Imperial do Brasil o qual só teria sua primeira organização pelo Decreto de 24 dezembro de 1824 ,em que foram abolidas denominações de unidades pela cor da pele de seus integrantes .
Havia no povo uma mágoa contra contra militares portugueses que, segundo João Ribeiro:
"Eles inflamavam e justificavam os ódios nativistas. Eram grosseiros, soberbos e prepotentes e por toda a parte semeavam o rancor e a cólera."
Depois de 322 anos de domínio colonial com governos militares, as mágoas e ressentimentos de parte de lideranças políticas da Assembléia Constituinte iriam tranferir - se para o Exército Imperial Brasileiro.
O Imperador se empenhava em constitucionalizar o Império, mas a Assembléia não chegava a um denominador. Cansado de esperar ,o Imperador espalhou no Exército,
"Que a Assembléia Constituinte o acabara de depor e de degredar o Exército para os confins do Brasil."
Aliás essa idéia de afastar o Exército da Corte e confiná-lo no litoral e fronteiras existia e com a Abdicação seria implementada e diminuída a importância do Exército com a criação da Guarda Nacional e Policias Militares em 1831 o que foi a origem de algumas revoltas e motins.
A Guarda Nacional então criada na Regência ,na Revolução de 1842 em São Paulo e Minas, tornou-se política e a eleição de seus oficiais não era respeitada e sim manipulada.Com o tempo tornou-se anti - Exército ,situação que perdurou até 1918 quando foi extinta pelo presidente Wenceslau Braz.
O início de sua decadência e incapacidade para a Defesa Nacional, a não ser no Rio Grande do Sul, o demonstra o insuspeito trabalho de Jeanne Berrance de Castro A milícia cidadã - A Guarda Nacional 1831-50.(Coleção Brasiliana n o 359).
E foi com apoio do Exército que o Imperador dissolveu a Assembléia Constituinte e outorgou um Constituição que vigorou 65 anos ,tendo inserida nela a figura do Poder Moderador para prevenir e solucionar crises político -militares. Como teria sido o destino do Império com a Constituição elaborada pela Constituinte ? Tente o leitor uma simulação sobre esta pergunta!
Essa participação atraiu sobre o Exército animosidades de parte de algumas elites políticas da Corte pelo que seria cobrado alto preço do Exército na Regência ao tentarem confiná-lo nas fortalezas e fronteiras e logo a seguir reduzi-lo a efetivos perigosos, como os regimentos de Cavalaria do Exército que iriam aderir à Revolução Farroupilha por passarem a efetivos de 100 soldados.
Isto explicaria ,em parte ,diversos motins que ocorreram na Regência após ter o Exército e seus chefes tomado posição a favor do povo ,indo reunir-se no Campo de Santana sob a liderança do pai do futuro Duque de Caxias. Sobre isto escreveu Evaristo da Veiga em nome da Assembléia:
"Tudo , tudo se deve à resolução e patriotismo do povo e a coragem invencível do Exército Brasileiro que desmentiu as senhas insensatas da tirania"
E suas lideranças atuaram prudentemente para evitar outra tentativa precoce de República.
Em 2 jul 1824, primeiro aniversário da Independência na Bahia. teve início em Pernambuco mais uma revolução republicana - a Confederação do Equador 1824.Terminado esse movimento, o Exército passou em 24 dez 1824 por sua primeira organização. Foram renumeradas as unidades de Linha e de Milícias e eliminadas denominações que caracterizavam a cor da pele de seus integrantes.
Desenvolvimento da Confederação do Equador de 1824
Suas causas próximas prenderam-se à dissolução da Assembléia Constituinte e outorga da Constituição de 1824 pelo Imperador D .Pedro I ,com o apoio do Exército.
O Imperador nomeou governador de Pernambuco o Marquês de Recife, Francisco Pais Barreto. Reagiu a esta medida Manoel de Carvalho Pais de Andrade, presidente de Junta Governativa de Recife-Olinda, e recusou-se a transferir o governo ao Marquês do Recife. Em 2 jul 1824 ,1o aniversário da libertação da Bahia ,proclamou a Confederação do Equador e convidou outras províncias nordestinas a participarem.
Tropas da guarnição do Exército do Recife prenderam Pais de Andrade no Forte do Brum. Dali foi libertado pela guarnição do forte e juntou-se em Olinda às tropas revoltadas .O movimento conseguiu a adesão do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O porto do Recife foi bloqueado temporariamente por força naval que foi obrigada a retirar-se, face a informe de Portugal estar enviando esquadra para atacar o Brasil e restaurá-lo como sua Colônia.
O Imperador incumbiu ao cel Francisco Lima e Silva, pai do futuro Duque de Caxias ,de comandar expedição a Pernambuco para debelar a revolta. Ele foi transportado por Divisão Naval ao comando de Cochrane .Desembarcou sua força em Maceió e seguiu por terra rumo ao Recife.
Em Barra Grande, operou junção com forças do Exército do Recife que para ali haviam se deslocadas junto com o Marquês do Recife. Em 12 e 13 set, depois de desbordar resistência revolucionária na Ponte dos Carvalhos ,o cel Lima e Silva entrou no Recife com o que Pais de Andrade buscou asilo em fragata inglesa --- a Tweed.
Em 17 set, o cel Lima e Silva atacou Olinda, fazendo com que os revolucionários buscassem proteção no interior. A revolução foi neutralizada na Paraíba e a seguir no Rio Grande do Norte .Em 28 nov 1824 ,após cerca de 5 meses de revolução, remanescentes revolucionários foram surpreendidos e presos na Fazenda do Juiz.
A repressão mais uma vez foi forte. Tribunal Militar condenou à morte 17 revolucionários. Entre eles o célebre português Ratcliff e o frei Joaquim do Amor Divino Caneca .Este foi fuzilado em local até hoje balizado do Forte das Cinco Pontas, na área da então Campina do Taborda, cenário da rendição holandesa em 1654.
E assim teve fim mais uma tentativa republicana precursora .Pais de Andrade foi perdoado e, mais tarde, senador. Caso tivesse sido vitoriosa ,como teria ficado a Integridade e Unidade do Brasil preservada pelos pernambucanos e, em especial ,nas vitórias dos Guararapes, nas quais, segundo mais uma vez o sociólogo Gylberto Freyre: "escreveu-se a sangue o destino do Brasil,o de ser um só e não dois ou tres hostis entre si....",conforme abordamos em nossa obra: As Batalhas dos Guararapes-Análise e descrição militar.Recife:Universidade Federal de Pernambuco,1971.
Entre as punições impostas a Pernambuco foi a de perder para a Bahia a sua Província Sanfranciscana, a parte baiana ao oeste do rio São Francisco.
Nesse tempo, Caxias havia retornado da Bahia para a Corte ,onde, com o Batalhão do Imperador aquartelado em São Cristóvão e no posto de capitão dava segurança ao Imperador e residia no quartel do 2 o BC aquartelado no local do atual Palácio Duque de Caxias, conforme nosso Quartéis generais das Forças Armadas do Brasil.Rio,FHE-POUPEX,1988.
A repressão à Confederação do Equador, sabe-se, provocou certos pesares confessos no cel Lima e Silva que mais tarde, na Regência , por diversos meios procurava minimizar suas conseqüências. Crê-se transferiu esta experiência ao filho que sempre atuou como pacificador e não repressor de irmãos brasileiros em luta .
11 - A REVOLTA DOS BATALHÕES MERCENÁRIOS NO ATUAL
PALÁCIO DUQUE DE CAXIAS
9-12 jun 1828
Generalidades
Mal o Brasil consolidara a sua Independência e terminava com a Confederação do Equador , teve de fazer um grande esforço operacional para enfrentar em Montevidéu e no Rio Grande do Sul a Guerra Cisplatina 1825-1828 ,da qual resultaria a independência do Província Brasileira da Cisplatina 1821-1828, como República do Uruguai .
O retorno da grande massa de oficiais e tropa da 3 divisões portuguesas que guarneciam o Brasil criou grande dificuldades para o novel Exército Brasileiro com a lacuna deixada por eles .
Assim, todas as tropas do Rio de Janeiro e de outros locais foram enviadas para o Rio Grande e para guarnecer Montevidéu, onde se encontrava Caxias, então capitão do Batalhão do Imperador. A segurança do Rio ficou a cargo do Batalhão de Granadeiros Estrangeiros que aquartelava no atual Palácio Duque de Caxias ,cuja história é focalizada em nosso álbum citado Quartéis generais da Forças Armadas do Brasil .Havia mais o 27 o Batalhão de Caçadores de Alemães- "Os diabos brancos." na Praia Vermelha .Comandava as Armas da Corte(atual 1a RM) no atual Palácio Duque de Caxias, o brig Joaquim Thomaz .Valente,conde do Rio Pardo que Caxias irá substituir no combate à Revolução Farroupilha.
O estopim da revolta dos mercenários foi o castigo imposto pelo maj Francisco Pedro Drago ,fiscal do batalhão(sub cmt) ,a um soldado que trabalhava no Paço Imperial e no valor de 100 pranchachos de espada .O soldado se recusou a ser castigado! O major mandou amarrá-lo e aplicar agora 200 pranchadas. Foi o estopim de uma revolta que assim é sintetizo:
Um grupo foi até o Imperador em São Cristóvão queixar-se e pedir a demissão do maj Drago ,sem resultado. O conde do Rio Pardo ,comandante das Armas tentou sem sucesso acalmar os soldados. E estes foram até a casa do major, na atual marechal Floriano e a depredaram ea incendiaram.
Nos dias 10 e 11set, os mercenários praticaram toda a ordem de tropelias e tomaram conta do atual Palácio Duque de Caxias de onde o conde do Rio Pardo conseguiu escapar pulando uma janela. Munidos de pedras, as atiravam em que passasse defronte o quartel. Arrombaram o Almoxarifado da Polícia e armaram-se e se entrincheiraram no quadro do atual Palácio Duque de Caxias.
Dia 12 set, o Conde do Rio Pardo reuniu os meios possíveis .E, com o apoio inclusive de Artilharia ,investiu à baioneta os revoltosos .Rendidos ,eis as baixas 12 mercenários mortos e 50 feridos .
O principal cabeça da revolta ,o soldado Steinhousen foi julgado e fuzilado no Campo da Aclamação , próximo do atual Quartel General no Palácio Duque de Caxias. Para conseguir acabar a revolta, o conde do Rio Pardo contou com o apoio da Brigada de Artilharia da Marinha da Ilha das Cobras ( a qual irá revoltar-se 3 anos mais tarde e ser pacificada pelo Batalhão Sagrado e Guardas Municipais Permanentes ,evento onde Caxias terá decisivo papel).
Ajudaram a combater os mercenários em revolta , marinheiros de navios franceses e ingleses , populares e escravos que ali convocados na emergência, compareceram armados .
O Ministro da Guerra foi demitido e em solidariedade a ele os demais ministros pediram demissão, menos o Marquês de Aracati.
Esse fato provocaria, após a Abdicação, medidas que obrigaram a dissolução deste corpos.
Deles o 28 o BC de Alemães combateu em Passo do Rosário bem. Mas se amotinou no dia de Natal de 1828 ,em Pelotas ,em razão de atraso de vencimentos.
São estudados por nós em Estrangeiros e descendentes na História Militar do RGS(Palegre,IEL,1975)e em Mercenário do Imperador do cel Juvêncio Saldanha Lemos reeditado pela BIBLIEx em 1996. Comandava os granadeiros o cel Dall Hoste que seus comandados o enfiaram num caldeirão da cozinha que ficava junto à atual rua Marcílio Dias.
O Corpo de Estrangeiros fora criado em 18 jan 1822 e se constituiu inicialmente de 2 Batalhões de Caçadores Alemães e 2 de Granadeiros.
Eram filhos de mercenários do 28 o BC que combateu em Passo do Rosário ,em 20 fev 1827 ,o futuro mal Bernadino Bormann ,Ministro da Guerra em 1910, além de historiador militar fecundo e ,o Barão de Tefé ,herói naval da Batalha do Riachuelo.
Revoltas no Período Regencial
Como foi abordado antes, em 9 anos de Regência aconteceram aquelas lutas internas cujas causas e intensidades variaram muito .As menores, afora as do Rio de Janeiro as balizaremos como referências para outros estudos:
A setembrada e novembrada em Pernambuco em 1831 tiveram forte componente ant i- lusitano por portugueses dominarem o comércio, o latifúndio e a sociedade. Caracterizaram-se pelo saque a casas de comércio de portugueses e exigências de que fossem expulsos. A setembrada consistiu numa revolta da guarnição do Exército no Recife , iniciada pelo 14 o BI na noite de 14 set 1831 e que dominou a cidade até 16 e saquearam casas comerciais. Na repressão, morreram 300 revoltosos e foram presos 800, enviados inicialmente para Fernando de Noronha e a seguir para o Rio, aonde chegaram quase nus, tendo o Ministro da Guerra brig Manoel Fonseca Lima e Silva, tio de Caxias, mandado dar-lhes sapatos, bonés ,camisas e jaquetas de Polícia .Uma peça de cada.(Aviso de 5 nov 1831).A Abrilada em Pernambuco teve o cunho restaurador de D.Pedro I com ramificações pelo interior, mas logo apagada.
A Revolta dos Guanais ,em Salvador na Bahia 1832-33 .Foi liderada por Bernardo Miguel de Guanais (Mineiro) e foi de natureza federalista. Dominou e resistiu três dias em Cachoeira. Preso no Forte do Mar, converteu à sua causa a guarnição e com ela resistiu 3 dias ao governo.
A Revolta do 10o BC, em Salvador 1832 . Sublevado pelo próprio comandante reclamando melhoria de tratamento à unidade e à sua tropa. O 10o BC, foi dominado, desarmado e dissolvido .Eram reflexos do tratamento erradicador do Exército, uma das causas não abordadas dessas revoltas e motins militares na Regência, como o que aconteceu na Revolução Farroupilha a qual a expressiva maioria da guarnição do Exército aderiu .
A Insurreição do Crato de 1832 : Teve caráter restaurador de D. Pedro I. Foi liderada pelo cel Joaquim Pinto Madeira .Ocuparam a cidade de